16 de maio, 2006 - 10h36 GMT (07h36 Brasília)
O único acusado julgado pelo cerco à escola de Beslan, o checheno Nurpashi Kulaev, foi declarado culpado por um tribunal russo nesta terça-feira.
O juiz encarregado do caso começou a pronunciar o seu veredicto para Kulaev, o único capturado entre os supostos seqüestradores, mas a leitura da decisão deverá demorar dias.
Ainda assim, ele já afirmou ter concluído que Kulaev participou de ato terrorista, seqüestro e assassinato.
Em setembro de 2004, um grupo de 32 separatistas chechenos ocupou uma escola na república russa da Ossétia do Norte, perto da capital Vladikavkaz.
A ocupação acabou com a morte de 362 pessoas, entre elas, 186 crianças, depois de uma polêmica intervenção das forças russas.
Durante o julgamento, o tribunal assistiu a depoimentos de parentes revoltados das vítimas, muitos deles exigindo a pena capital para o acusado.
A promotoria exige a pena de morte para o réu, mas atualmente há uma moratória contra este tipo de sentença em vigor na Rússia e por isso a prisão perpétua seria a condenação mais severa possível.
Linchamento
Kulayev admitiu ter participado da ação, mas nega ter cometido assassinato. O carpinteiro checheno quase foi linchado por uma multidão irada quando foi descoberto escondido sob um caminhão pouco depois do fim do cerco à escola.
Analistas afirmam que o julgamento de Kulayev não deve apaziguar os ânimos dos parentes dos mortos, já que muitos acusam as autoridades russas de acobertar os erros das autoridades durante a operação que, na opinião de muitos, provocou a tragédia.
Dezenas de vítimas e parentes que formaram o grupo chamado Mães de Beslan acusaram os procuradores de tentar ocultar a responsabilidade dos generais.
Eles disseram não confiar nas autoridades e prometem continuar sua própria investigação.