16 de maio, 2006 - 20h22 GMT (17h22 Brasília)
A comissão de 11 países que administra o vasto arquivo nazista com documentos sobre crimes de guerra concordou nesta terça-feira em abri-lo para historiadores e pesquisadores.
A decisão foi tomada depois de uma reunião em Luxemburgo e põe fim a meses de discussões sobre a questão da privacidade.
As 47 milhões de pastas contêm registros dos nazistas sobre trabalhadores forçados, prisioneiros dos campos de concentração e prisioneiros políticos.
Elas têm sido usadas para ajudar no rastreamento de pessoas desaparecidas durante a 2ª Guerra, mas foram mantidas em segredo para proteger a privacidade das vítimas.
Muitos acreditam que os arquivos devem ser abertos para assegurar que os detalhes do holocausto não sejam esquecidos.
Informações pessoais
Paul Mertz, o ministro do Exterior luxemburguês que chefiou a reunião, disse à agência de notícias Associated Press que eles concordaram em alterar a linguagem em dois documentos que permitiriam o acesso a historiadores e pesquisadores.
Mas ele afirmou que o acordo ainda tem que ser assinado por representantes dos países da comissão em uma cerimônia em Berlim, para que então seja iniciado o processo de ratificação, que poderia durar até o fim do ano.
Os nazistas registraram tudo - desde o número de piolhos encontrado na cabeça de um prisioneiro, até a hora exata de sua execução.
Há informações bastante pessoais também, como os nomes de colaboradores, homossexuais e prostitutas.
O arquivo é administrado pelo Serviço Internacional de Rastreamento (ITS, na sigla em inglês), um braço do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
A comissão responsável pelo ITS é formada por representantes da Alemanha, Bélgica, Grã-Bretanha, França, Israel, Itália, Grécia, Luxemburgo, Polônia, Holanda e Estados Unidos.