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16 de maio, 2006 - 15h35 GMT (12h35 Brasília)

Abbas diz que crise palestina pode ampliar conflito

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, fez um apelo à União Européia (UE) nesta terça-feira pela retomada do financiamento à Autoridade Palestina para evitar uma nova fase de conflitos no Oriente Médio.

Abbas afirmou, em discurso ao Parlamento Europeu, que a recusa de verbas para os palestinos só iria "deteriorar mais a situação econômica e política".

"E isso teria um impacto negativo em todo o mundo", acrescentou o líder palestino.

Abbas pediu ainda uma nova chance da UE para o governo liderado pelo grupo militante Hamas se adaptar às exigências internacionais. "Nós precisamos do apoio da comunidade internacional", afirmou Abbas.

Putin

O líder palestino também fez um apelo por mais pressão européia sobre Israel, que, desde as eleições em que o Hamas saiu vencedor, deixaram de repassar à Autoridade Palestina milhares de dólares em impostos.

Na segunda-feira, Abbas teve um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, também para discutir projetos de apoio à Autoridade.

Um assessor próximo a Abbas disse que a situação está perto de catastrófica.

A Rússia não aderiu ao boicote do governo do Hamas, que tem o objetivo de forçar o reconhecimento de Israel, com a aceitação dos acordos vigentes e a renúncia da violência de forma permanente.

Em discurso gravado para transmissão ainda na segunda-feira, Abbas pediu aos militantes palestinos que suspendam ataques com foguetes contra Israel que, segundo ele, incentivou o país a dar continuidade aos planos unilaterais de impor uma fronteira aos palestinos.

Abbas acusou Israel de usar sua antipatia ao Hamas como uma desculpa para evitar negociações e pediu aos israelenses que retomem conversações e façam de 2006 o ano da paz.

Diferentemente dos Estados Unidos e da União Européia, a Rússia se recusou a considerar o Hamas uma organização terrorista.

As autoridades russas convidaram os líderes do Hamas para uma visita a Moscou para conversas há dois meses.

Na semana passada, a Rússia transferiu US$ 10 milhões em fundos de emergência para a Autoridade Palestina.

Mais de 165 mil funcionários palestinos têm os salários atrasados há dois meses.