15 de maio, 2006 - 11h22 GMT (08h22 Brasília)
O ex-presidente do Iraque Saddam Hussein se recusou a se declarar culpado ou inocente nesta segunda-feira, quando compareceu a um tribunal para ouvir, pela primeira vez, acusações detalhadas contra ele.
"Não é assim que deve ser tratado o presidente do Iraque", disse o ex-líder deposto quando perguntado como se declarava.
As acusações formalizadas contra Saddam incluem a prisão ilegal de 400 pessoas da cidade de Dujail, predominantemente xiita, a tortura de mulheres e crianças e dar ordens para a destruição de áreas de plantação.
O ex-líder iraquiano não foi acusado, porém, pelas mortes de 148 pessoas em um massacre, em 1982, na cidade de Dujail, predominantemente xiita, ordenado em resposta a uma tentativa de assassinato contra o então presidente iraquiano.
Ele só foi acusado de responsabilidade nas mortes de nove pessoas, assassinadas logo após a ofensiva.
"Depois que as alegações de ter sido alvo de uma tentativa de assassinato, você expediu ordens para as forças de segurança e o Exército prenderem moradores e usar todas as armas contra eles", disse o juiz Raouf Abdul Rahman.
"Só posso dizer sim ou não a isso. Você lê tudo isso para o consumo público e eu não posso responder a isso com brevidade", disse o ex-líder iraquiano.
"Você está diante de Saddam Hussein, presidente do Iraque. Eu sou o presidente do Iraque de acordo com a vontade dos iraquianos e ainda sou o presidente até este momento."
Meio-irmão
O juiz instruiu o tribunal na capital iraquiana, Bagdá, a registrar que Saddam Hussein negou as acusações.
Se considerado culpado, Saddam Hussein pode enfrentar pena de morte.
As acusações mais graves em relação ao massacre recaíram sobre o meio-irmão de Saddam, Barzan al-Tikriti, que era chefe do serviço secreto iraquiano na época e também está em julgamento.
Além de Saddam, setes réus enfrentam acusações semelhantes no julgamento. O tribunal foi reconvocado depois de um intervalo de três semanas para ouvir a tese apresentada pela defesa.
Ataque duplo
Um ataque suicida duplo perto do aeroporto de Bagdá deixou pelo 14 mortos no domingo.
Uma série de outros atentados ocorreram na capital e em outras cidades iraquianas e, no total, o número de vítimas chega a quase 40.
O ataque que atingiu o aeroporto foi realizado com carros-bomba perto de uma base dos Estados Unidos.
Segundo o Exército americano, as explosões ocorreram em um estacionamento.
No norte da capital iraquiana, militantes atacaram um comboio do ministro do Exterior, Hoshyar Zebari, matando dois de seus guarda-costas e ferindo outras três pessoas. Depois, soube-se que o ministro não estava no comboio.