15 de maio, 2006 - 16h05 GMT (13h05 Brasília)
O governo americano vai normalizar as relações com a Líbia e retirar o país da lista daqueles que apóiam o terrorismo, anunciou nesta segunda-feira a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.
Os Estados Unidos vão transformar sua representação em Trípoli em uma embaixada, continuando o processo iniciado em 2003, quando a Líbia concordou em abrir mão de seu programa de armas nucleares.
"Estamos adotando essas ações em reconhecimento ao contínuo compromisso da Líbia em renunciar ao terrorismo e à excelente cooperação que a Líbia tem oferecido aos Estados Unidos e a outros membros da comunidade internacional em resposta às ameaças globais comuns, enfrentadas pelo mundo civilizado desde 11 de setembro de 2001", disse Rice.
Com o anúncio, os Americanos esperam ampliar a pressão sobre o Irã e a Coréia do Norte, demonstrando que os EUA "recompensam" os países que colaboram. "Os anúncios de hoje são resultados tangíveis que partem das históricas decisões tomadas pela liderança da Líbia em 2003 de renunciar ao terrorismo e abandonar seus programas de armas de destruição em massa", esclareceu Rice.
Relações cortadas
"A Líbia é um importante modelo no momento em que países do mundo todo pressionam por mudanças de comportamento dos regimes iraniano e norte-coreano, mudanças que poderiam ser vitais para a paz internacional e a segurança."
Os Estados Unidos cortaram relações diplomáticas com a Líbia em 1980 e, em 1988, responsabilizaram o governo do país, dirigido por Muammar Khadafi, pelo atentado contra um vôo da Pan Am, no qual 270 pessoas – na maioria americanos – morreram.
Em 2004, os EUA suspenderam várias das sanções econômicas que impunham ao país africano e restabeleceram ligações com a Líbia. No entanto, a exportação de armas e o investimento no setor de petróleo permaneceram limitados.
Segundo a agência de notícias Reuters, o Ministério do Exterior da Líbia disse que a decisão é um "passo significativo" para melhorar a cooperação bilateral em todas as áreas.
O chefe da diplomacia líbia em Washington, Ali Aujali, também disse que a decisão iria beneficiar companhias de petróleo americanas porque significa o fim das sanções americanas contra a Líbia, disse à Reuters.