14 de maio, 2006 - 03h18 GMT (00h18 Brasília)
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que está preparado para conversar com qualquer país - com exceção de Israel - sobre o seu programa nuclear, mas não sob a ameaça de ação militar.
Ahmadinejad disse que não há necessidade de haver tensão sobre o programa, já que o projeto é "totalmente pacífico".
A União Européia está estudando novas maneiras de convencer o Irã a interromper o programa.
Mas o ministro do Exterior iraniano, Manouchehr Mottaki, disse que qualquer proposta que não inclua o direito do Irã de desenvolver energia nuclear não será aceitável.
A proposta européia, que inclui, acredita-se, livre comércio e incentivos políticos, será discutida pelos membros permanentes do Conselho de Segurança e pela Alemanhã na próxima semana.
O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), Mohamed El Baradei, disse ter esperanças de que a proposta seja "completo" e "corajoso".
"Eu espero que essa proposta faça com que o Irã volte à mesa de negociação", afirmou.
"E eu também espero que o Irã entenda que eles têm de fazer um trabalho para ganhar a confiança (dos países ocidentais).
Alguns países temem que o programa iraniano tenha como objetivo a fabricação de armas nucleares.
Proposta
O correspondente da BBC Jonathan Charles diz que pela proposta européia o Irã será encorajado a importar o combustível de que precisa para geração de energia, em vez de produzir o próprio urânio.
Em retorno, a União Européia irá oferecer livre comércio, garantias políticas e incentivos tecnológicos.
"A União Européia estaria preparada para apoiar o desenvolvimento, pelo Irã, de um programa seguro, sustentável e que não conduza à proliferação, caso as preocupações internacionais sejam esclarecidas", diz a cópia do documento obtida pela agência de notícias Reuters.
Charles diz que o fato de que os europeus tenham tido que apelar para uma proposta desse tipo mostra que o "desespero" da situação.
As chances de que o Conselho de Segurança passe uma resolução mais dura para ameaçar o Irã parecem pequenas, segundo o correspondente.
Os Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha vão se reunir em Londres na próxima sexta-feira.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, fez um apelo para que os Estados Unidos negocie diretamente com o Irã para acabar com o atual impasse, mas o governo americano descartou essa possibilidade.