11 de maio, 2006 - 16h30 GMT (13h30 Brasília)
Centenas de civis estão fugindo da capital da Somália, Mogadíscio, por causa dos intensos combates entre milícias islâmicas e uma aliança de senhores de guerra, que deixaram pelo menos 120 mortos na última semana.
Uma equipe da ONU diz que os milicianos estão ganhando terreno na capital, desde o início dos combates, no domingo.
Autoridades médicas dizem que o número de mortos chegou a 200.
Os choques desta semana estão entre os mais violentos desde o início da guerra civil em 1991. Segundo o correspondente da BBC na capital somali, a maioria das vítimas eram civis, mortos no fogo cruzado.
EUA
A milícia islâmica acusa Estados Unidos de apoiarem a aliança do senhores de guerra. Segundo um relatório da ONU, os senhores de guerra constantemente furam o embargo de armas imposto à Somália.
Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU rejeitou as recomendações de impor sanções específicas e endurecer o embargo de armas no país.
A ONU diz que a milícia islâmica controla 80% da cidade, mas o correspondente da BBC na capital, Mohammad Olad Hassan, disse que os dois grupos controlam algumas áreas.
A maioria dos choques ocorreram no norte de Mogadíscio, e por isso é difícil dizer que algum dos grupos controle a cidade, disse Hassan.
Fogo cruzado
Os senhores de guerra usaram artilharia pesada e morteiros durante a noite, em várias áreas da cidade.
Muitos moradores fugiram de suas casas em busca de segurança, e várias casas foram atingidas por artilharia.
Os confrontos continuavam nesta quinta-feira de manhã, mas não com a mesma intensidade da noite anterior.
Em março, pelo menos 90 pessoas morreram em choques entre os dois lados.
Terra sem lei
A população da Somália é formada, em sua totalidade, por muçulmanos sunitas.
Desde o início da década de 90, o país vive uma guerra civil entre vários clãs rivais.
Recentemente, a aliança dos senhores de guerra criou a Aliança para a Restauração da Paz e Contra o Terrorismo, para se opor contra o avanço dos chamados Tribunais Islâmicos Conjuntos, um rudimentar sistema de cortes islâmicas espalhadas pelo país.
A milícia, ligada aos Tribunais Islâmicos Conjuntos, recentemente restaurou a ordem em algumas regiões de Mogadíscio, ligando o sistema de justiça à Sharia, a lei islâmica.
A aliança acusa os tribunais de abrigar líderes estrangeiros da Al-Qaeda.
Na semana passada, o presidente somali, Abdullahi Yusuf, acusou os Estados Unidos de financiar a coalizão de senhores de guerra.
O governo americano afirma que apoia os esforços para devolver a estabilidade da Somália, mas se recusa a dizer quem e como apoia no país, segundo o correspondente da BBC no leste da África, Adam Mynott.
A Somália não tem uma autoridade nacional efetiva desde 1991, quando o ex-presidente Siad Barre foi derrubado do poder.