10 de maio, 2006 - 06h51 GMT (03h51 Brasília)
A União Européia anunciou a criação de um projeto de auxílio à população palestina que não passará pelo governo comandado pela organização militante Hamas.
O projeto consiste na criação de uma fundação que coletaria verbas para aliviar a crise financeira nos territórios palestinos. Ele foi elaborado pela União Européia e contou com a aprovação dos demais integrantes do chamado Quarteto - formado pela União Européia, ONU, Estados Unidos e Rússia.
O programa assistencial foi anunciado durante uma entrevista coletiva na terça-feira, na qual os integrantes do Quarteto explicaram que o chamado "mecanismo temporário internacional" deve durar três meses. Não foi especificado, no entanto, o valor exato que será destinado aos palestinos.
De acordo com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o programa de auxílio será "limitado em duração e em alcance" e fornecerá "a entrega direta de auxílio à população palestina".
Crise
O governo palestino, comandado pelo Hamas, enfrenta uma grave crise financeira desde que, em abril deste ano, os Estados Unidos e a União Européia decidiram suspender o envio de verbas à região.
Os Estados Unidos e o bloco europeu vêm exigindo que o Hamas reconheça Israel e abdique de atos de violência contra alvos israelenses.
O governo palestino emprega cerca de 165 mil pessoas e gasta aproximadamente US$ 166 milhões (cerca de R$ 344 milhões) com o pagamento de seus salários. Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, cerca de 25% dependem de salários que recebem do governo.
A secretária de Estado americana, Condolezza Rice, afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a investir cerca de US$ 10 milhões (cerca de R$ 20,7 milhões) em entidades de assistência a crianças e em medicamentos.
Os Estados Unidos inicialmente se opunham ao projeto, defendido pela União Européia, mas Rice comentou que o acordo mostrou que a comunidade internacional "ainda está tentando responder às necessidades do povo palestino".
A secretária de Estado pediu que Israel forneça também assistência aos palestinos, mas acrescentou que a resolução da crise compete à administração palestina.