08 de maio, 2006 - 11h19 GMT (08h19 Brasília)
O Tribunal Constitucional da Tailândia decidiu nesta segunda-feira anular as eleições gerais do mês passado depois de investigar as alegações de irregularidades no processo eleitoral.
A Justiça considerou as eleições inconstitucionais e determinou a convocação de um novo pleito.
O maior partido de oposição na Tailândia, que boicotou as eleições do mês passado, aplaudiu a decisão do tribunal e afirmou que vai participar da votação.
O boicote deixou cadeiras vazias no Parlamento tailandês, o que pela lei local impossibilita a realização de sessões.
Crise
Desde as eleições, a Tailândia afundou em uma crise política.
A votação do mês passado havia sido convocada pelo então primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, em reação aos crescentes protestos contra o governo. Ele era acusado de corrupção e abuso de poder.
Ainda assim, a revolta popular continuou e a Justiça recebeu centenas de reclamações de que as eleições não tinham sido democráticas e violavam a Constituição.
A decisão do tribunal se baseou em um processo movido por acadêmicos que acusaram a Comissão Eleitoral de, entre outras coisas, organizar as eleições às pressas, o que teria prejudicado os partidos pequenos.
Thaksin acabou renunciando depois que o seu partido político teve um fraco desempenho.
O primeiro-ministro disse ter tomado a decisão de renunciar em respeito ao rei Bhumipol Adulyadej, que completa 60 anos de reinado neste ano.
"Quero que todos os tailandeses se unifiquem. Eu imploro por este sacrifício em nome do rei", afirmou.
Em uma das raras intervenções na política, o monarca fez um apelo público para a Tailândia sair da "bagunça política".