08 de maio, 2006 - 12h00 GMT (09h00 Brasília)
O chefe das operações de auxílio humanitário da ONU no Sudão, Jan Egeland, foi obrigado a abandonar um campo de refugiados na região de Darfur, nesta segunda-feira, após uma manifestação popular ter fugido ao controle.
Os moradores foram às ruas para exigir o envio à região de tropas internacionais para protegê-los contra ataques de militantes.
O protesto contou com a participação de milhares de moradores de Darfur e acabou se tornando violento. Durante a manifestação, um funcionário da ONU foi atacado.
Além de Egeland, o campo de refugiados foi abandonado por outros membros de organizações não-governamentais e por jornalistas.
Saldo do conflito
O conflito em Darfur já matou mais de 200 mil pessoas e deixou mais de 2 milhões de pessoas desabrigadas.
O governo sudanês tem sido acusado pela comunidade internacional de dar apoio às milícias árabes chamadas janjaweed, que vêm promovendo ataques e estupros em massa contra a minoria cristã de Darfur.
Egeland já havia defendido que forças de paz da ONU fossem enviadas a Darfur para proteger os campos de refugiados.
O ministro das Relações Exteriores do Sudão, Lam Akol, disse à BBC que o governo do país aceitaria o envio de tropas da ONU a Darfur desde que as milícias pró-governo e os rebeldes aceitassem que a presença das forças de paz consistiria em um dos termos do acordo de paz assinado na última sexta-feira.
No passado, o governo sudanês acabou consentindo com a presença de forças internacionais em Darfur, mas exigiu que fossem tropas da União Africana. Esta foi a primeira vez que as autoridades sudanesas aceitaram a presença de tropas da ONU na região.