08 de maio, 2006 - 23h37 GMT (20h37 Brasília)
A carta enviada pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao presidente George W. Bush não muda a posição americana em relação ao programa nuclear do Irã, disse um assessor da Casa Branca.
"Nada na carta aborda as questões entre o Irã e a comunidade internacional", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Frederick Jones.
Segundo Jones a carta, enviada através da embaixada suíça em Teerã, não tem novidades em relação a preocupações dos Estados Unidos, incluindo o programa nuclear e a questão de direitos humanos.
A carta seria a primeira de um presidente iraniano a um presidente americano em 27 anos.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, rejeitou a possibilidade de progresso diplomático afirmando à agência de notícias AP: "Esta carta não é (progresso diplomático)".
Soluções para os problemas do mundo
A carta proporia, "novas soluções para os problemas internacionais e para a atual situação frágil do mundo", afirmaram autoridades iranianas nesta segunda-feira.
Mas para o governo americano, "há uma série de preocupações da comunidade internacional com o regime (iraniano) e a carta não aborda esta preocupações", de acordo com o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan.
Entrevistada pela agência de notícias AP, Condoleezza Rice disse: "Não há nada aqui que possa sugerir que estamos em uma direção diferente da que estávamos antes da carta".
Não está claro se a carta menciona a disputa nuclear.
No domingo, o parlamento iraniano ameaçou tirar o país do Tratado de Não-Proliferação Nuclear se a pressão ocidental sobre o programa nuclear do país continuasse.
Mesmo com a reação cética do governo americano, o preço do petróleo no mercado internacional caiu nesta segunda-feira.
Em Nova York, o preço do barril no mercado futuro, com entrega em junho, fechou em US$69,77 (cerca de R$ 140), após o gesto sem precedentes do presidente iraniano.
Os Estados Unidos lideram a ação internacional contra o enriquecimento de urânio por parte do Irã, alegando que o Irã quer construir armas atômicas.
O Irã nega e afirma que seu programa tem fins pacíficos.
A tensão em torno da questão levou o preço do petróleo a US$ 75 (R$ 150) por barril no mês passado.