05 de maio, 2006 - 04h29 GMT (01h29 Brasília)
Os Estados Unidos devem comparecer ao Comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) para Tortura pela primeira vez desde o início da sua chamada guerra ao terrorismo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.
Os Departamentos de Estado, Justiça, Defesa e Segurança Nacional vão enviar 30 representantes que vão depor em uma audiência pública em Genebra.
Segundo correspondentes as autoridades deverão enfrentar questionamentos severos a respeito das práticas usadas na guerra contra o terrorismo.
Grupos de defesa dos direitos humanos acusam os Estados Unidos de desprezarem a Convenção da ONU contra a Tortura.
Estes grupos acusam os Estados Unidos de permitirem a tortura e tratamentos desumanos para suspeitos de terrorismo, estrangeiros, em seus centros de detenção no Afeganistão, Iraque, na base de Guantánamo em Cuba e em outros lugares.
Depoimento público
Esta será a primeira vez desde o ano 2000 que os Estados Unidos darão depoimento público frente ao comitê. Como signatário da Convenção da ONU contra a Tortura os Estados Unidos são obrigados a dar o depoimento.
Dez especialistas jurídicos vão examinar os depoimentos da equipe americana, liderada pelo conselheiro jurídico do Departamento de Estado, John Bellinger, em depoimentos públicos que devem continuar até a segunda-feira.
Os depoimentos têm um importante significado, segundo Jennifer Daskal, do grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.
"O que torna estes depoimentos tão importantes é que será a primeira vez que os Estados Unidos deverão prestar contas por seu histórico de tortura considerando algumas das práticas implantadas depois de 11 de setembro de 2001", disse.
Nomes e números
O comitê quer saber a respeito das supostas prisões secretas da CIA e a respeito dos prisioneiros que não tem contato com pessoas fora das prisões, segundo informações da correspondente da BBC em Genebra, Imogen Foulkes.
Segundo um documento da ONU o comitê vai exigir os números de prisioneiros e suas nacionalidades.
O comitê também deverá pedir detalhes sobre todos os que foram levados para outros países além de poder perguntar a respeito das medidas exatas que os Estados Unidos tomaram logo depois da denúncia de abuso de prisioneiros na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, para garantir que o caso não ocorresse novamente.
Os Estados Unidos afirmam se "opor de modo inequívoco" a tortura e continuam comprometidos com a proibição destas práticas pela ONU.
O comitê da ONU não tem poderes formais e não pode impor sanções, mas os signatários da convenção devem agir seguindo as recomendações que serão publicadas depois dos depoimentos.