02 de maio, 2006 - 17h58 GMT (14h58 Brasília)
Quatro soldados britânicos estão sendo acusados em corte marcial de ter forçado um adolescente iraquano a entrar em um rio, "para ensiná-lo uma lição", ter visto ele se afogando e não ter feito nada para impedir.
Ahmed Jabber Kareem Ali, de 15 anos, não conseguiu nadar quando foi obrigado a entrar no canal de Shatt al-Basra, em maio de 2003.
Os soldados observaram a cena e depois deixaram o local, segundo a promotoria. Eles negam as acusações de homicídio culposo.
Segundo a promotoria, a causa da morte foram "as atividades perigosas e ilegais dos quatro réus, que agiram juntos".
Prática comum
O promotor Orlando Pownall disse à corte marcial que o incidente era uma prática comum de obrigar saqueadores a entrar na água para ensiná-los uma lição.
Na ocasião, os soldados ajudavam a polícia iraquiana a prender quatro suspeitos de ser saqueadores.
A promotoria ainda citou o depoimento de um dos suspeitos, Aiad Salim Hanon, que disse que ele e Kareem - que era asmático - foram obrigados a entrar água sob a mira de revólveres, e que os soldados atiraram pedras neles.
"Kareem estava obviamente desesperado, porque não conseguia nadar", disse o promotor.
O corpo do jovem foi encontrado quase dois dias depois no canal, que tinha dois metros de profundidade e uma forte corrente.
Segundo a promotoria, os exames póstumos mostraram que a única causa aparente de morte foi o afogamento.
Ataque
Também no Iraque, o exército americano informou ter matado dez insurgentes nesta terça-feira em uma batida perto da cidade de Balad, ao norte de Bagdá.
Segundo os militares, três dos mortos usavam cintos de explosivos.
A ação ocorreu quando os soldados procuravam um líder da Al Qaeda.
Mais cedo, pelo menos quatro pessoas morreram em um atentado em Bagdá.