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01 de maio, 2006 - 01h13 GMT (22h13 Brasília)

Darfur: prazo para acordo é prolongado por 48 horas

Mediadores da União Africana nas negociações de paz para Darfur, no oeste do Sudão, prorrogaram por mais 48 horas o prazo para que as partes envolvidas cheguem a um acordo, que expirou à meia-noite deste domingo.

A decisão foi tomada depois que duas facções rebeldes - o Movimento Justiça e Igualdade, de pequeno porte, e uma facção do principal grupo, Exército de Libertação do Sudão - rejeitaram a proposta feita nas negociações realizadas em Abuja, na Nigéria.

Já o governo do Sudão concordou em assinar o acordo.

O conflito em Darfur matou 200 mil pessoas e obrigou 2 milhões a deixarem suas casas.

O emissário das Nações Unidas, Jan Pronk, disse que o plano de paz foi resultado de meses de árduas negociações e não pode ser renegociado.

Desarmamento

O plano prevê o desarmamento das milícias árabes pró-governo, e da absorção de combatentes rebeldes pelas Forças Armadas do Sudão.

O esboço, de 85 páginas, também tem o objetivo de acabar com o que os rebeldes de Darfur dizem ser o longo período de abandono da província pelo governo central do Sudão.

Ele prevê ainda um investimento inicial de US$ 300 milhões em Darfur, e US$ 200 milhões por ano.

Há notícia de que alguns grupos rebeldes estão exigindo o cargo de vice-presidente do Sudão. A deposição de armas antes da integração dos rebeldes no exército sudanês também tem causado preocupação.

Estados Unidos

Enquanto as negociações chegavam a um ponto crítico em Abuja, eram realizadas manifestações maciças em várias partes dos Estados Unidos pedindo o fim do conflito.

Entre os oradores em um ato público em Washington estava o ator George Clooney, que qualificou a situação em Darfur como "o primeiro genocídio do século 21".

"Se nós olharmos para o outro lado na espera de que tudo vai desaparecer, então desaparecerá. Tudo, uma geração inteira."

A União Africana, que possui 7 mil soldados de paz em Darfur, luta para acabar com a violência entre rebeldes e milícias Janjaweed apoiadas pelo governo.

O conflito começou em meados de 2003, quando grupos rebeldes começaram a atacar alvos do governo.