29 de abril, 2006 - 09h14 GMT (06h14 Brasília)
Depois de três dias de intensas negociações, os representantes de países pobres junto a ONU votaram pelo arquivamento da proposta de reforma da Organização das Nações Unidas elaborada após o escândalo que envolveu o programa Petróleo por Comida.
A decisão provocou divisões profundas na ONU e também poderá provocar uma crise financeira na organização.
As reformas elaboradas pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pretendiam restaurar a credibilidade da organização abalada por uma série de escândalos.
A proposta de Annan concedia ao secretário-geral maiores poderes sobre o pessoal e os recursos administrados pela ONU.
Polarização
Ao decidir manter com a Assembléia Geral o controle sobre o orçamento e pessoal da ONU, os países pobres podem ter dado início a uma reação em cadeia que poderá mergulhar a organização numa profunda crise financeira a partir de junho.
Os Estados Unidos insistem em condicionar seu próximo pagamento da contribuição anual à adoção das reformas administrativas propostas.
Os países em desenvolvimento entendem que a posição americana aumentaria o poder de influência política dos países ricos dentro da ONU, enfraquecendo a posição do bloco mais pobre.
A União Européia, o Japão e os Estados Unidos, cujas contribuições somadas respondem por 82 porcento do orçamento da ONU, querem a adoção das reformas.