28 de abril, 2006 - 14h50 GMT (11h50 Brasília)
Pelo menos duas pessoas morreram e várias ficaram feridas no Timor Leste nesta sexta-feira, depois que um protesto de soldados demitidos acabou se tornando violento.
A polícia lançou bombas de gás lacrimogênio para tentar dispersar a multidão de centenas de soldados e simpatizantes, que haviam atacado lojas e incendiado carros na capital do país, Dili.
Pelo menos 20 pessoas teriam ficado feridas, algumas gravemente.
O protesto foi o mais volátil de vários ocorridos nesta semana contra a demissão de 600 soldados que tinham aderido a uma greve por melhores condições de trabalho e contra o que chamam de "favoritismo" nas promoções.
O governo demitiu todos eles – mais de 30% das forças de defesa do país.
Primeiro-ministro
O alvo da violência desta sexta-feira foi, aparentemente, o escritório do primeiro-ministro Mari Alkatiri.
Os manifestantes quebraram as janelas do prédio e incendiaram carros estacionados do lado de fora.
Segundo a agência de notícias France Presse, alguns moradores da vizinhança tentaram buscar refúgio na embaixada dos Estados Unidos.
Uma dessas pessoas é Theresa Soares, de 21 anos, que tentou o abrigo junto com cinco parentes.
"Vim para pedir ajuda, mas fiquei decepcionada por eles não terem nos deixado entrar", afirmou.
Veteranos
Na quarta-feira, a polícia suprimiu outra manifestação de soldados, quando dezenas deles começaram a jogar pedras em vários prédios e atacar barracas de feira com paus.
Também há relatos de manifestantes que invadiram casas.
Originalmente, a maioria dos soldados do oeste do país deixou seus cargos por acreditarem que os militares do leste eram beneficiados em promoções, segundo o líder dos manifestantes, Gastão Salsinha.
Muitos dos soldados, veteranos dos 25 anos de conflito pela independência da Indonésia, acreditam que não tiveram o reconhecimento merecido pelos sacrifícios feitos no passado.
O governo do Timor Leste disse que vai rever caso a caso as reclamações dos soldados.