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28 de abril, 2006 - 07h58 GMT (04h58 Brasília)

Musharraf nega combater militantes pelos EUA

O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, rejeitou nesta sexta-feira as críticas de que seu país estaria combatendo militantes atendendo aos interesses dos Estados Unidos.

Em uma entrevista com o jornal britânico The Guardian, Musharraf disse não ser “poodle de ninguém” e que o combate ao terrorismo é do interesse do Paquistão.

“Quando você está falando sobre combater o terrorismo extremista, não estou fazendo isso pelos Estados Unidos ou pela Grã-Bretanha. Estou fazendo isso pelo Paquistão”, disse Musharraf ao Guardian.

“Não é uma questão de ser um poodle. Eu não sou o poodle de ninguém. Tenho força própria suficiente para liderar”, afirmou.

Oposição interna

Musharraf vem enfrentando uma crescente oposição interna no Paquistão por conta de seu relacionamento com os Estados Unidos.

No mês passado, Musharraf enfrentou fortes protestos durante uma visita ao país do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Uma manifestação para acusá-lo de defender os interesses americanos, promovida pelo líder de oposição Maulana Fazl-ur-Rehman, reuniu 10 mil pessoas na região do Punjab.

Muitos dos opositores a Musharraf têm demonstrado insatisfação com supostos ataques americanos contra militantes em áreas tribais perto da fronteira com o Afeganistão, incluindo um no qual 18 civis foram mortos.

Musharraf condenou os ataques americanos, dizendo que eles foram “uma violação da soberania do Paquistão”.

O general, que tomou o poder em um golpe militar em 1999 e prometeu realizar eleições livres e justas no próximo ano, admitiu que era “irônico sentar-se de uniforme para falar de democracia”.

“Minha popularidade caiu, mas neste momento meu país precisa de mim. Eu coloquei em funcionamento um sistema democrático constitucional forte. Isso vai estabelecer um sucessor. Tenho uma crença forte na democracia”, disse.