28 de abril, 2006 - 16h41 GMT (13h41 Brasília)
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohammed El Baradei, apresentou nesta sexta-feira um relatório dizendo que o Irã não cumpriu com as determinações das Nações Unidas para que suspendesse o seu programa de enriquecimento de urânio.
"Após mais de três anos de trabalho para clarificar todos os aspectos do programa nuclear iraniano, os pontos obscuros que permanecem são preocupantes", disse o relatório.
"Qualquer progresso neste sentido necessita transparência total e colaboração ativa do Irã."
O relatório diz também que a afirmação do Irã de que vem enriquecendo urânio a um nível de 3,6% é verdadeira – esse nível é usado para fins de geração de energia; para a construção de bombas, é preciso enriquecer urânio em níveis acima de 90%.
Dúvidas
O relatório não descarta a possibilidade de o Irã ter feito experimentos clandestinos usando plutônio.
"A agência não pode excluir a possibilidade de que o plutônio analisado é originário de uma fonte diferente da declarada pelo Irã."
Existe o temor de que outros experimentos envolvendo plutônio tenham fins militares.
O relatório diz que o país continua a não fornecer informações sobre as centrífugas usadas para enriquecimento de urânio, desenhos mostrando como depositar urânio em ogivas e ligações entre o programa nuclear e os militares do país.
Horas antes da divulgação do relatório, o Irã havia voltado a desafiar a requisição do Conselho de Segurança da ONU para que suspendesse o enriquecimento de urânio.
Posições
O embaixador do país para a ONU, Javed Zarif, disse que o país não vai suspender suas atividades nucleares, dizendo que elas são pacíficas.
O Conselho de Segurança deve agora discutir o conteúdo do relatório da agência e decidir se tomará ou não medidas contra o Irã.
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad afirmou na quinta-feira que o país não vai ceder à pressão externa para abandonar sua tecnologia nuclear.
"Nós obtivemos a tecnologia para produzir combustível nuclear", disse o líder iraniano. "Ninguém pode tirar isso de nossa nação."
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, declarou que o Conselho de Segurança da ONU deve estar preparado para agir.
"Os Estados Unidos acreditam que, para ter credibilidade, o Conselho de Segurança da ONU obviamente precisa agir", afirmou Rice.
A secretária de Estado americana se reuniu na quinta-feira com os ministros das Relações Exteriores dos países da Otan (aliança militar ocidental), em Sofia, capital da Bulgária.
A expectativa era de que os ministros da Otan discutissem quais serão os próximos passos para lidar com a crise nuclear do Irã.
Os Estados Unidos argumentam que o Irã está tentando adquirir armas nucleares e tentam conseguir o apoio do Conselho de Segurança para impor medidas duras contra o governo iraniano, incluindo sanções.
As autoridades americanas também não descartam a possibilidade de uma ação militar.
A China e a Rússia, que são membros com direito a veto no Conselho de Segurança, são contra as sanções e pedem que todas as partes envolvidas adotem uma postura mais moderada.