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27 de abril, 2006 - 22h40 GMT (19h40 Brasília)

Líder xiita pede desarmamento de milícias a premiê

A maior autoridade religiosa xiita do Iraque, o aiatolá Ali Sistani, pediu nesta quinta-feira para que o novo premiê iraquiano desarme as milícias do país.

Ele disse que apenas o governo deveria ter armas e as forças armadas deveriam ser leais ao país e não a partidos políticos.

Muitos iraquianos responsabilizam as milícias pelo aumento da violência que se seguiu ao ataque que destruiu uma mesquita xiita na cidade de Samarra, há dois meses.

O novo premiê do Iraque, Nouri Maliki, já havia prometido agir contra os grupos armados, mas não disse se pretende dissolvê-los ou incorporá-los nas forças de segurança já existentes.

Sunitas no governo

Durante um encontro com Maliki na cidade de Najaf, Sistani disse que o novo primeiro-ministro deve acabar com os ataques a bomba, assassinatos, seqüestros e restaurar o fornecimento de eletricidade e água potável.

O clérigo também pediu que Maliki forme um novo governo de líderes que coloquem os interesses nacionais acima de seus interesses pessoais ou étnicos.

Maliki tem um prazo até maio para conquistar aprovação parlamentar para um novo gabinete, mas disse que pretende trabalhar rápido para criar uma grande coalizão de maioria xiita.

O primeiro-ministro quer incluir na coalizão sunitas e curdos para coibir a violência.

"O diálogo ainda está se desenvolvendo com diferentes partidos que devem formar o governo. Se Deus quiser, ele será concluído na semana que vem", disse Maliki.

Seus comentários foram feitos horas após o assassinato da irmã do recém-nomeado vice-presidente do Iraque, Tariq al-Hashemi.

Meysoun al-Hashemi e seu segurança foram assassinados em Bagdá. No último dia 13, outro irmão de Hashemi havia sido assassinado.

O correspondente da BBC em Bagdá, Jim Muir, disse que os ataques indicam que existe uma campanha contra a presença de políticos sunitas no futuro governo do Iraque.