25 de abril, 2006 - 20h11 GMT (17h11 Brasília)
O aiatolá Ali Khamenei, líder espiritual do Irã, disse nesta terça-feira que seu país está pronto para transferir tecnologia nuclear para outras nações.
Khamenei fez a oferta durante um encontro com o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, que está visitando o país.
A afirmação vem pouco depois de um negociador iraniano ter ameaçado abandonar as conversações com o órgão da ONU que regulamenta o uso de energia nuclear, caso o Irã sofresse sanções.
O Conselho de Segurança da ONU estabeleceu um prazo até 28 de abril para o Irã paralisar o seu processo de enriquecimento de urânio.
Os Estados Unidos tentam convencer o Conselho de Segurança a permitir medidas mais duras contra o Irã, incluindo sanções, mas enfrenta a oposição de China e Rússia.
Ambições sudanesas
No seu encontro com Bashir, Khamenei disse que a capacidade nuclear do Irã era uma dos “várias evoluções científicas do país”.
“A República Islâmica está pronta para transferir tecnologia, experiência e conhecimento dos cientistas”, teria dito Khamanei.
Bashir elogiou o processo iraniano de enriquecimento de urânio como uma grande vitória do mundo islâmico. O sudanês disse esta semana que seu país está considerando a criação de um programa nuclear.
No ano passado, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmedinejad, já tinha falado em passar tecnologia nuclear para outros países.
Mas de acordo com Frances Harrison, correspondente da BBC em Teerã, desta vez a oferta parece implicar que possa mesmo haver compartilhamento de tecnologia com o Sudão.
A declaração de Khamenei foi condenada pela secretária de estado norte-americana, Condoleeza Rice.
Ela disse temer que o conhecimento de “tecnologias perigosas” possa sair do controle.
“Comportamento emblemático”
Além de ameaçar encerrar a sua cooperação com a ONU, o negociador Ali Larijani disse que o Irã vai “esconder” seu programa nuclear caso seja atacado.
Condoleeza Rice, em visita official à Grécia, disse que as declarações do Irã eram “emblemáticas de como o país tem se comportado nos últimos anos”.
Ela disse que o Conselho de Segurança deve tomar uma medida mais concreta do que a “declaração presidencial” do mês passado, que deu 30 dias para o Irã cumprir com as determinações da Agência Internacional de Energia Atômica.
O Irã insiste que seu programa nuclear é só para fins pacíficos. Os Estados Unidos não confiam na declaração iraniana, assim como vários outros países.