22 de abril, 2006 - 18h52 GMT (15h52 Brasília)
A rádio oficial do Irã divulgou neste sábado que o país teria chegado a um "acordo básico" com a Rússia na área de enriquecimento de urânio.
A informação teria sido fornecida pelo embaixador do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica, Ali Asghar Soltanieh.
Segundo a emissora, Soltanieh disse que só faltava acertar detalhes técnicos, legais e financeiros para os dois países darem início a um projeto conjunto de enriquecimento de urânio - tecnologia que pode ser usada para gerar energia ou desenvolver armas nucleares. Pelo acordo,
O diplomata iraniano está em Moscou, onde manteve conversas com representantes russos e da União Européia.
No entanto, questionado pela agência de notícias Reuters, ele negou que algo novo tenha saído das negociações.
"É claro que com a iniciativa dos nossos amigos russos houve algumas discussões com os nossos amigos europeus, mas é tudo o que eu posso dizer a esta altura", disse Soltanieh. "Não há acordo novo. Este é o acordo que tínhamos antes."
A Rússia chegou a se oferecer para enriquecer urânio para o Irã para afastar os temores da comunidade internacional de que o país estaria desenvolvendo a tecnologia para fabricar armas nucleares e não para produzir energia, como alega.
O Irã, no entanto, tem se negado a interromper completamente o enriquecimento de urânio em seu território.
O Conselho de Segurança da ONU deu até o fim deste mês para o Irã suspender o seu programa nuclear. A Rússia e a China, ambas com assentos permanentes no Conselho, se opõem à imposição de sanções no caso de descumprimento do prazo, como defendem os outros membros.
Um acordo semelhante ao que foi divulgado pela rádio iraniana foi anunciado em fevereiro.
Desde então, o Irã anunciou ter enriquecido urânio com sucesso.
A correspondente da BBC em Teerã, Frances Harrison, diz que o Irã tem dado sinais de que, depois de ter dominado a tecnologia nuclear básica, já se sente em uma posição de força e estaria disposto a fazer concessões para encerrar a crise.
A questão, diz a correspondente, é saber se o Ocidente também está disposto a ceder ou vai insistir que Teerã recue de forma humilhante.