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21 de abril, 2006 - 13h50 GMT (10h50 Brasília)

Rei do Nepal promete restituir ordem democrática

O rei Gyanendra, do Nepal, alvo de violentos protestos no país há mais de duas semanas, prometeu em um discurso em cadeia de rádio e TV nesta sexta-feira restituir a democracia no país e "devolver o poder à população" .

"O poder Executivo deve, a partir deste dia, retornar à população", disse ele em seu discurso.

Gyanendra, que havia dissolvido o governo e assumido o poder total no país há 14 meses, pediu aos sete principais partidos políticos da oposição para indicarem o nome de um primeiro-ministro o mais rápido possível. Até lá, segundo ele, o atual governo ficará no poder.

O rei disse estar comprometido com uma democracia multipartidária em uma monarquia constitucional.

Para o correspondente da BBC em Katmandu, a declaração de Gyanendra significa que ele pretende continuar no cargo, porém como rei constitucional.

Um dos principais líderes da oposição, o ex-ministro das Relações Exteriores Chakra Prasad Banstola, disse que as declarações do rei estão aquém das expectativas da população e das necessidades do momento.

Segundo o correspondente da BBC, o anúncio do rei foi saudado pelas pessoas que participavam dos protestos na capital, mas os manifestantes permaneciam dispostos a continuar nas ruas, dizendo que as concessões foram poucas e vieram tarde demais.

Mortos

Ao menos 14 pessoas morreram em mais de duas semanas de protestos que pediam que o rei Gyanendra entregasse o poder e restituísse a ordem democática no país.

O monarca assumiu o governo de forma absoluta em fevereiro do ano passado, alegando que o regime de exceção era necessário para acabar com o movimento rebelde de inspiração maoísta no país.

Milhares de pessoas voltaram às ruas de Katmandu nesta sexta-feira para protestar contra o rei, apesar de um toque de recolher que dava poderes à polícia de atirar em quem descumprisse a proibição.

Manifestantes destruíram um posto de controle no mesmo local onde a polícia abriu fogo e matou três pessoas na quinta-feira.

A revolta no posto de controle começou quando correu pela multidão a notícia de que um dos manifestantes mortos havia sido cremado na presença de apenas um membro da família.

A ONU condenou as forças de segurança do Nepal por "uso excessivo de força" e por fazer "disparos indiscriminados" contra pelo menos 100 mil manifestantes.

O rei Gyanendra havia oferecido anteriormente a realização de eleições até abril de 2007, mas os manifestantes exigiam que ele entregasse o poder imediatamente.

O governo acusa os rebeldes maoístas de se infiltrarem nos protestos para incitar a violência.