21 de abril, 2006 - 16h47 GMT (13h47 Brasília)
As prateleiras dos supermercados da Grã-Bretanha podem ter um novo produto em breve: o leite de camelo.
A ONU está fazendo campanha para o leite ser vendido no Ocidente – o produto é dez vezes mais rico em ferro e tem mais vitaminas B e C do que o leite de vaca.
O leite de camelo, que é um pouco mais salgado do que o leite tradicional, é amplamente consumido no mundo árabe e também pode ser transformado em queijo.
Cadeias britânicas como a Harrods e a Fortnum & Mason estariam interessadas em trabalhar com o leite de camelo.
Além de rico em vitaminas e sais minerais, pesquisas sugerem que o leite também auxiliaria no combate de doenças como o câncer, AIDS, mal de Alzheimer e hepatite C e outras pesquisas tentam determinar o seu impacto em pacientes com diabetes e doenças cardíacas.
A FAO, Fundo da Organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação, quer que produtores de países como a Mauritânia e Casaquistão comecem a exportar leite de camelo para o oeste e esperam que doadores e investidores ajudem a desenvolver o mercado.
Obstáculos à produção
“O potencial é imenso”, disse Anthony Bennett, especialista em carne e laticínios da FAO. “Leite é dinheiro”.
Ele disse que há pelo menos 200 milhões de consumidores no mundo árabe e mais dezenas de milhões na Europa, América e África.
Para Bennett, o mercado potencial é de cerca de US$ 10 bilhões (R$ 21.2 bilhões), mesmo que sejam necessárias algumas melhorias na rede de distribuição.
“Ninguém está sugerindo que se construam fazendas de confinamento de camelos, mas somente uma alimentação especial, um manejo mais adequado e tratamento veterinário a produção pode subir a 20 litros por cabeça”.
Uma vez que o preço do leite de camelo é bastante baixo – cerca de US$ 1 por litro (R$ 2,11), os mercados africanos poderiam ser atraentes para pastores nômades que não têm outra fonte de receita.
Abrir os mercados para leite de camelo, contudo, não é assim simples, especialmente na industrialização e distribuição, diz a FAO.
Um dos problemas é o próprio leite, que ainda não se provou compatível com o processo de pasteurização, necessário para torná-lo durável.
Mas o maior desafio é para o fato de que a maioria dos produtores é nômade.
“O leite de camelo pode ser um excelente complemento para a dieta, uma vez que é rico em cálcio e vitamina B, além de ter menos gordura do que o leite de vaca”, disse um porta-voz da Fundação Britânica de Nutrição.
“Contudo, ainda é mais caro que o leite comum e não se sabe se todo mundo se adaptaria ao seu sabor”, adicionou.