20 de abril, 2006 - 18h07 GMT (15h07 Brasília)
A ONU condenou as forças de segurança do Nepal por "uso excessivo de força", após três pessoas terem sido mortas durante manifestações contra a monarquia do país.
De acordo com a ONU, houve "disparos indiscriminados" contra pelo menos 100 mil manifestantes que desafiaram o toque de recolher imposto pelo rei Gyanendra na capital do país, Katmandu. Os manifestantes pediam a renúncia do monarca.
O toque de recolher havia sido imposto por 18 horas, de 2h às 20h, mas acabou sendo estendido por mais sete horas, em uma tentativa do governo de conter as manifestações, que já duram duas semanas.
As mortes ocorridas nesta quinta-feira foram as primeiras durante duas semanas de greve nacional e de protestos organizados por uma aliança de sete partidos de oposição.
Feridos na rua
Alguns dos feridos no protesto foram deixados na rua, sem cuidados médicos, segundo o correspondente da BBC em Katmandu, Charles Haviland.
Os policiais teriam começado a atirar quando os manifestantes, que haviam se concentrado nos arredores da capital, começaram a marchar na direção da cidade e atravessar as barreiras colocadas pelas autoridades.
As forças de segurança do país receberam ordens de atirar contra quem descumprisse o toque de recolher.
Pelo menos 11 pessoas já foram mortas nos mais recentes e violentos protestos contra o rei Gyanendra, que assumiu o poder absoluto no país em fevereiro do ano passado.
Há relatos de que milhares de pessoas continuam tentando romper as barricadas construídas em torno da cidade por outros pontos.
Outros assistem aos protestos pela varanda de suas casas, mas ajudam os manifestantes jogando água para que eles se refresquem do calor.
Um enviado especial do governo indiano está no Nepal para negociações com o rei com o intuito de ajudá-lo a resolver a crise. Além de vizinha, a Índia é um dos principais aliados do governo de Gyanendra.
O rei Gyanendra assumiu o poder absoluto no Nepal alegando que ia acabar com a revolta de grupos maoístas que já deixou mais de 13 mil mortos na última década. Ele ofereceu a realização de eleições até abril de 2007, mas os manifestantes exigem que ele entregue o poder imediatamente.
O governo acusa os rebeldes maoístas de se infiltrarem nos protestos para incitar a violência.