20 de abril, 2006 - 02h42 GMT (23h42 Brasília)
Entrou em vigor no Nepal um toque de recolher previsto para durar 18 horas na capital do Nepal, Katmandu, nesta quinta-feira, às vésperas de uma grande manifestação contra o governo do rei Gyanendra.
Segundo o correspondente da BBC em Katmandu, Sanjoy Majumder, a medida é mais rigorosa do que toques de recolher anteriores. Ao contrário de ocasiões anteriores, as autoridades se recusam a emitir passes que permitam a circulação pela cidade a turistas, jornalistas, e veículos de diplomatas e de emergência.
Dez pessoas morreram durante duas semanas de protestos no país.
O porta-voz do Comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos no Nepal manifestou preocupação com excessivo uso da força por parte das autoridades do país.
Um emissário da Índia, Karan Singh, em visita ao Nepal para tentar desarmar a crise deverá se reunir com o rei na quinta-feira. Além de vizinha, a Índia é um dos principais aliados do governo de Gyanendra.
Antes da chegada do emissário, duas importantes figuras da oposição, Madhav Kumar Nepal e Ram Chandra Poudel, que haviam sido detidas há três meses, foram libertadas.
O primeiro é líder do Partido Comunista nepalês e o segundo é membro do Congresso do país.
Manifestantes
As forças de segurança do Nepal mataram pelo menos três manifestantes nesta quarta-feira ao abrir fogo contra os participantes de um novo protesto contra o rei Gyanendra.
De acordo com testemunhas, as forças de segurança teriam direcionado os manifestantes para um estádio no distrito de Jhapa, no leste do Nepal, onde abriram fogo contra o grupo.
O rei Gyanendra, que assumiu o poder absoluto no Nepal há 14 meses, é o principal alvo da oposição, que reivindica uma abertura democrática e mais liberdade.