15 de abril, 2006 - 20h35 GMT (17h35 Brasília)
O provável vencedor das eleições gerais na Itália, Romano Prodi, declarou neste sábado desejar que que o atual premiê, Sílvio Berlusconi, se desculpe por ter alegado que houve fraude no pleito.
"Ele precisa reconhecer como as coisas aconteceram", disse Prodi, de 66 anos, se referindo a recusa do premiê de reconhecer que sua coligação de centro-direita foi derrotada nas urnas.
"E também se desculpar após ter dito o que disse sobre fraude."
As acusações de fraude feitas por Berlusconi – que se declarou o vencedor moral das eleições – foram retiradas posteriormente por ele.
'Irresponsável'
Neste sábado, Berlusconi publicou uma carta no jornal Corriere della Sera, na qual diz que a Itália enfrenta um impasse e que, "em relação aos votos, não há nem vencedores nem perdedores".
Mas dados oficiais mostram que o número de cédulas em disputa é pequeno demais para abalar a vitória da coalizão de centro-esquerda e seu líder, Prodi, deve ser confirmado como vitorioso no pleito.
O Ministério do Interior da Itália disse que os votos contestáveis são 5 mil, e não 80 mil como se pensou a princípio.
Em sua carta ao Corriere della Sera, Berlusconi volta a propor uma coalizão de curto-prazo com seus rivais para "cumprir de imediato o cronograma institucional, econômico e internacional do país".
Tal sugestão já havia rejeitada por Prodi.
Berlusconi acusa Prodi de ser irresponsável ao declarar vitória e diz que caso seus rivais continuem a adotar uma "linha extremista", o partido do primeiro-ministro e seus aliados vai lançar uma "batalha" em defesa "dos valores e interesses de 50% dos eleitores".
Novo parlamento
Prodi se declarou vitorioso depois que resultados oficiais indicaram euq ele conseguiu um número suficiente de cadeiras para controlar o Senado, depois de haver obtido maioria na Câmara dos Deputados.
A coalizão de Prodi obteve 158 cadeiras no Senado, enquanto a de Berlusconi ficou com 156.
Na Câmara, o grupo de Prodi ficou na frente do de Berlusconi por uma margem de 25 mil votos
Os resultados devem agora ser validados na Suprema Corte italiana na próxima semana.
O novo parlamento deve assumir no dia 28 de abril.