10 de abril, 2006 - 10h41 GMT (07h41 Brasília)
Líderes xiitas iraquianos se reúnem nesta segunda-feira para decidir se cedem à oposição sunita e curda à escolha do premiê provisório Ibrahim al-Jaafari para liderar o novo governo iraquiano.
Grupos curdos e sunitas rejeitam o nome de Jaafari, o principal candidato xiita ao cargo de primeiro-ministro, acusando-o de monopolizar o poder e de explorar as tensões sectárias.
A falta de um acordo entre os principais grupos étnicos iraquianos está impedindo a formação de um novo governo mais de três meses após as eleições.
Em um encontro com lideranças xiitas no domingo, os curdos, mais uma vez, rejeitaram a indicação de Jaafari para o cargo de primeiro-ministro.
Pressão externa
Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e alguns clérigos xiitas estão pressionando por uma solução rápida para o impasse em meio a advertências de que o Iraque se encaminha para uma guerra civil.
Muitos esperam que um governo que satisfaça a maioria xiita e as minorias sunita e curda poderia estar numa posição melhor para conter a crescente violência sectária no país.
No domingo, o presidente iraquiano, Jalal Talabani, que é curdo, disse em entrevista à BBC que a oposição a Jaafari não deve diminuir.
"Acho que a maioria dos outros grupos, ou todos os outros grupos, estão rejeitando Jaafari como primeiro-ministro", disse ele.
O principal bloco de partidos sunitas também disse na segunda-feira que não aceita o nome de Jaafari.
Um porta-voz do grupo disse que o bloco pedirá à aliança xiita que "apresente nomes de outros candidatos".
De acordo com a Constituição iraquiana, o primeiro-ministro deve ser indicado pelo grupo que elegeu o maior número de deputados.
Mas apesar de ter recebido o maior número de votos, a coalizão xiita ainda precisa do apoio de outros partidos para governar.