09 de abril, 2006 - 15h57 GMT (12h57 Brasília)
Líderes iraquianos criticaram duramente aos comentários do presidente do Egito, Hosni Mubarak, de que o Iraque estaria à beira de uma guerra civil.
"Estamos espantados em saber que o Egito identifica os problemas de segurança do Iraque como sendo uma guerra civil", disse a jornalistas, neste domingo, o primeiro-ministro interino iraquiano, Ibrahim Al-Jaafari, ao lado de políticos sunitas e curdos.
"Nosso povo ainda está longe de qualquer conflito sectário ou guerra civil", afirmou. "Esses comentários irritaram o povo iraquiano de diferentes origens étnicas e religiosas, e surpreenderam e decepcionaram o governo iraquiano."
As declarações de Mubarak foram feitas durante entrevista à rede de televisão Al-Arabiya, no sábado. "A guerra civil entre xiitas, sunitas, curdos e aqueles vindos da Ásia está quase começando", disse.
'Preocupação'
Exatamente três anos depois da queda do regime do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein, há opiniões cada vez mais díspares sobre se país está ou não a caminho de um conflito interno.
No sábado, o vice-ministro do Interior, Hussein Ali Kamal, disse à BBC que o país já está em estado de guerra civil não declarado há mais de um ano.
O Exército dos Estados Unidos afirmou que 1.313 civis iraquianos foram vítimas da violência sectária no mês de março.
Analistas acreditam que o total deve ser ainda maior, já que muitos corpos nunca foram encontrados.
Autoridades americanas no Iraque divulgaram um relatório dizendo que a estabilidade é uma "grande preocupação" em seis das 18 províncias do país, além de ser considerada "crítica" em uma sétima região.
Segundo o documento, a maioria dessas províncias são áreas predominantemente sunitas do norte e do oeste do país.
Os detalhes do relatório foram publicados neste domingo pelo jornal americano The New York Times, que diz que também é grande a preocupação em relação ao nível de atividades de milícias e de criminalidade na província de Basra, no sul.
A tensão entre xiitas e sunitas aumentou em fevereiro, depois de um ataque a um templo xiita na cidade de Samarra.
Negociações
Alguns especialistas dizem que o risco de um confronto pode diminuir com a formação de um governo de unidade nacional.
Neste domingo, os principais líderes políticos da aliança xiita que detém o poder no Iraque participam de uma reunião para tentar resolver o impasse em relação ao assunto.
Desde as eleições gerais em dezembro passado, a nomeação de Al-Jaafari tem sido um dos pontos mais polêmicos nas conversas sobre a formação de uma coalizão entre curdos e sunitas, e muitos xiitas agora pedem para que ele desista de se candidatar ao cargo.