08 de abril, 2006 - 15h38 GMT (12h38 Brasília)
O novo primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, do grupo militante Hamas, criticou a União Européia e os Estados Unidos por terem cortado a ajuda financeira direta dada à Autoridade Palestina.
Em um encontro com o presidente Mahmoud Abbas, Haniya afirmou que a decisão foi "apressada e injusta" e não serve aos interesses do Oriente Médio.
"O mundo deveria respeitar a escolha do povo palestino", disse o primeiro-ministro, lembrando as eleições que deram a maioria do Parlamento ao Hamas, em janeiro.
Abbas disse que os cortes vão prejudicar o povo palestino. "Ao cortarem a ajuda, os Estados Unidos e a União Européia estão punindo todos os cidadãos, trabalhadores e famílias", afirmou.
Ajuda humanitária
Na sexta-feira, a Comissão Européia anunciou que vai suspender a ajuda direta dada aos palestinos, o que vai prejudicar a entrega de US$ 36,9 milhões que já estavam para ser enviados.
Tanto os Estados Unidos quanto a União Européia têm pedido para o Hamas reconhecer o Estado de Israel, renunciar à violência e aceitar acordos de paz fechados no passado.
A Autoridade Palestina recebe cerca de US$ 600 milhões por ano da União Européia, desde a sua fundação, em 1994.
Os Estados Unidos vinham contribuindo com mais US$ 400 milhões anuais.
O governo americano disse que vai suspender ou até cancelar o financiamento, mas prometeu ajudar nas operações de assistência humanitária aos palestinos através das agências da ONU.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que o Hamas "precisa se responsabilizar pelas conseqüências de suas políticas".
Crise
Segundo a correspondente da BBC na Cidade de Gaza, Caroline Hawley, Ismail Haniya e os ministros palestinos estão profundamente preocupados.
De acordo com Hawley, o novo governo palestino está quebrado e endividado, e não tem dinheiro para pagar os salários de seus servidores civis.
Membros do Hamas já disseram que estão tentando conseguir ajuda vinda de países árabes e islâmicos.
A decisão da Comissão Européia não afeta a ajuda humanitária enviada a organizações não-governamentais e a agências da ONU.