06 de abril, 2006 - 16h39 GMT (13h39 Brasília)
O governo de Israel libertou o ministro palestino Khaled Abu Arafa após mantê-lo preso por diversas horas.
Foi a primeira vez que Israel deteve um membro do novo governo palestino, comandado pelo grupo islâmico Hamas, desde que a organização assumiu o poder, na semana passada.
Khaled Abu Arafa, ministro para Questões de Jerusalém, foi preso com seus guarda-costas quando estava a caminho de al-Azaria, um subúrbio da cidade onde pretendia abrir um escritório.
Abu Arafa disse ter sido algemado e preso dentro de um contêiner.
Segundo o ministro, tal tratamento é típico das tentativas de Israel de dificultar a vida de autoridades palestinas que buscam servir a seu povo.
De acordo com o grupo islâmico, não é a primeira vez que ele é preso por autoridades israelenses.
Segurança
O Exército israelense diz que o ministro foi detido por estar proibido de entrar na Cisjordânia, por razões de segurança. Ele teria sido solto sem passar por interrogatório, segundo o Exército, porque não havia dúvidas sobre suas intenções.
Segundo o relato dos membros do Hamas à agência de notícias Associated Press, jipes com policiais israelenses estavam esperando a chegada de Abu Arafa e pararam seu carro no caminho a al-Azaria.
Um de seus guarda-costas disse à BBC que o carro do ministro foi parado e os policiais pediram seus documentos. Após uma discussão, Abu Arafa acabou detido.
Para o analista de Oriente Médio da BBC, Roger Hardy, a detenção do ministro palestino é mais simbólica do que qualquer outra coisa, mas faz parte de uma confrontação mais ampla, entre Israel e o novo governo liderado pelo Hamas, cujo desfecho é incerto.
Ele diz que o governo israelense tem muitas formas de pressionar o Hamas, que não reconhece o direito de Israel existir. Entre essas formas de pressão estaria impedir o livre movimento dos membros do governo palestino.
A julgar pelos eventos desta quinta-feira, segundo o analista, Arafa não poderá viajar entre Jerusalém Oriental, onde vive, e seu novo escritório em al-Azaria.
Jerusalém
Jerusalém Oriental está no centro do conflito israelo-palestino. Os palestinos são a maioria dos moradores da região.
Israel considera Jerusalém sua capital indivisível, enquanto os palestinos querem a parte oriental da cidade como capital de seu futuro Estado.
Jerusalém Oriental, assim como a Cisjordânia, está ocupada por Israel desde 1967. A parte leste da cidade foi anexada por Israel em 1981, mas a ação não foi reconhecida pela comunidade internacional.
De acordo com o plano de retirada unilateral proposto pelo premiê Ehud Olmert e por seu partido Kadima, vencedor das eleições parlamentares da semana passada, Jerusalém Oriental e partes da Cisjordânia, principalmente no entorno da cidade, permaneceriam sob o domínio israelense.