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06 de abril, 2006 - 07h21 GMT (04h21 Brasília)

Hamas acusa Israel de prender ministro palestino

O grupo radical islâmico Hamas, que assumiu o governo palestino em março, acusou nesta quinta-feira a polícia de Israel de prender um dos membros do partido que faz parte do gabinete de ministros da Autoridade Nacional Palestina.
O Hamas diz que Khaled Abu Arafa, ministro para Questões de Jerusalém, foi preso com seus guarda-costas quando estava a caminho de al-Azaria, um subúrbio da cidade onde pretendia abrir um escritório.

Abu Arafa acabou sendo libertado no início da tarde, algumas horas após sua detenção.

De acordo com o grupo islâmico, não é a primeira vez que ele é preso por autoridades israelenses.

Segundo o Exército israelense, o ministro foi detido por estar proibido de entrar na Cisjordânia, por razões de segurança. Ele teria sido solto sem passar por interrogatório, segundo o Exército, porque não havia dúvidas sobre suas intenções.

Pressão

Segundo o relato dos membros do Hamas à agência de notícias Associated Press, jipes com policiais israelenses estariam esperando a chegada de Abu Arafa e pararam seu carro no caminho a al-Azaria.

Um de seus guarda-costas disse à BBC que o carro do ministro foi parado e os policiais pediram seus documentos. Após uma discussão, Abu Arafa acabou detido.

Para o analista de Oriente Médio da BBC, Roger Hardy, a detenção do ministro palestino é mais simbólica do que qualquer outra coisa, mas faz parte de uma confrontação mais ampla, entre Israel e o novo governo liderado pelo Hamas, cujo desfecho é incerto.

Ele diz que o governo israelense tem muitas formas de pressionar o Hamas, que não reconhece o direito de Israel existir. Entre essas formas de pressão estaria impedir o livre movimento dos membros do governo palestino.
A julgar pelos eventos desta quinta-feira, segundo o analista, Arafa não poderá viajar entre Jerusalém Oriental, onde vive, e seu novo escritório em al-Azaria.

Jerusalém

Jerusalém Oriental está no centro do conflito israelo-palestino. Os palestinos são a maioria dos moradores da região.

Israel considera Jerusalém sua capital indivisível, enquanto os palestinos querem a parte oriental da cidade como capital de seu futuro Estado.

Jerusalém Oriental, assim como a Cisjordânia, está ocupada por Israel desde 1967. A parte leste da cidade foi anexada por Israel em 1981, mas a ação não foi reconhecida pela comunidade internacional.

De acordo com o plano de retirada unilateral proposta pelo premiê Ehud Olmert e por seu partido Kadima, vencedor das eleições parlamentares da semana passada, Jerusalém Oriental e partes da Cisjordânia, principalmente no entorno da cidade, permaneceriam sob o domínio israelense.