06 de abril, 2006 - 03h19 GMT (00h19 Brasília)
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu ao Congresso para ratificar um acordo para a passagem de tecnologia nuclear civil dos Estados Unidos para a Índia.
Rice disse a uma comissão do Senado americano que o acordo é bom para Estados Unidos, Índia e também para a comunidade internacional.
A secretária de Estado rejeitou temores de críticos do acordo de que ele vai minar esforços para impedir a proliferação de armas nucleares.
O entendimento, que marca uma reviravolta na política externa americana de décadas, foi acertado pelo presidente George W. Bush em visita à Índia, no mês passado.
Tratado
Os Estados Unidos restringiram a cooperação nuclear com a Índia - que não é signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear de 1972 - desde que o país realizou o seu primeiro teste de uma arma nuclear, em 1974.
Mas o governo indiano concordou em permitir a inspeção internacional de algumas de suas instalações nucleares civis.
Alguns senadores advertiram que está sendo pedido ao Congresso que aprove planos sem os detalhes de salvaguardas ainda a serem negociadas entre a Índia e a AIEA.
Outros manifestaram preocupação com os laços militares entre a Índia e o Irã.
Para que o acordo seja implementado, o Congresso americano precisa modificar legislação americana que proíbe a cooperação nuclear civil com países que não aceitam inspeção internacional ampla.
Arsenal
Rice rejeitou alegações de que o acordo pode contribuir para o arsenal nuclear da Índia, e destacou a importância do "aprofundamento da parceria estratégica" entre os dois países.
Obstruir ou alterar os termos do acordo pode redobrar "toda a hostilidade e clima de suspeita do passado", disse a representante americana ao Congresso, lembrando tensões da Guerra Fria.
Segundo ela, o acordo vai reduzir a dependência da Índia de combustível do Irã, e contribuir para a melhoria do meio-ambiente ao reduzir emissões de gases do efeito estufa.
O acordo foi bem recebido pela Agência Internacional de Energia Atômica das Nações Unidas (AIEA) e por Grã-Bretanha, França e Rússia, afirmou Rice.