04 de abril, 2006 - 16h52 GMT (13h52 Brasília)
Milhares de pessoas foram às ruas, nesta terça-feira, em algumas cidades da França para protestar contra a nova lei trabalhista que facilita a demissão de jovens.
Essa é a quinta manifestação nacional no país em dois meses e a segunda greve geral em uma semana – na semana passada, cerca de 1 milhão de pessoas participaram de protestos.
Os sindicatos franceses calculam que 3 milhões de pessoas participam dos protestos desta terça-feira em todo o país, sendo 700 mil apenas em Paris. A polícia não apresentou estimativas.
Mais de 4 mil policiais estão de prontidão em Paris para tentar impedir a violência vista nas manifestações da semana passada.
Transporte
Parte do transporte público e alguns vôos foram prejudicados pela greve.
Os garis da capital francesa não recolheram o lixo, e a Torre Eiffel permaneceu fechada para turistas.
Estudantes fizeram barricadas nas portas das escolas, que também não funcionaram.
O presidente Jacques Chirac já prometeu concessões à nova lei, que facilita a demissão de trabalhadores jovens.
Correspondentes afirmam que o tamanho das manifestações desta terça-feira pode afetar o futuro da lei sancionada no final da semana passada.
Mas há indicações de que este pode ser o último dia de protestos gigantes no país.
Líderes sindicalistas estariam se preparando para iniciar negociações com o governo em torno da lei do Primeiro Contrato de Emprego (CPE), que entrou em vigor no domingo.
Trégua
Bruno Julliard, que dirige a união de estudantes Unef, disse que poderia aceitar um convite para negociar com o governo.
"Vamos dizer sim a um convite, se houver a garantia que nenhum contrato do CPE vai ser assinado nos próximos dias", disse Julliard à rádio France Inter. "Estamos à beira da vitória."
Os jornais franceses afirmam que o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, tomou o lugar do primeiro-ministro, Dominique de Villepin, na busca de uma solução para o impasse.
Apesar das relações estremecidas com Chirac, Sarkozy é apontado como o principal rival de Villepin para concorrer à sucessão do presidente.
Villepin em baixa
Nesta terça-feira, uma pesquisa divulgada pelo instituto BVA de pesquisas, indica que a aprovação da política econômica de Villepin é a menor desde que ele assumiu o posto, há um ano.
A pesquisa da BVA afirma que 25% dos franceses aprovam a forma com que Villepin dirige a economia – cinco pontos a menos do que há um mês e uma aprovação menor do que o pior desempenho do seu predecessor, Jean-Pierre Raffarin.
O presidente Jacques Chirac sancionou a nova lei trabalhista na sexta-feira, mas prometeu modificações, como reduzir o prazo em que um jovem no primeiro emprego pudesse ser demitido, de dois anos para um, e com o empregador sendo obrigado a apresentar uma razão para a demissão – o que não estava previsto antes.
Os sindicatos afirmam que as modificações ainda são inaceitáveis.
O objetivo da lei é reduzir o desemprego, que chega a 20% entre a população jovem na França.
De acordo com o governo, ao facilitar demissões, ele daria incentivos para abertura de vagas.
O desemprego entre os jovens tem sido apontado como uma das razões para os protestos do ano passado na França nas áreas mais pobres do país.