04 de abril, 2006 - 20h22 GMT (17h22 Brasília)
O parlamentar americano Tom DeLay, ex-líder do Partido Republicano na Câmara dos Representantes, anunciou que vai renunciar à cadeira que ocupa há mais de duas décadas no Congresso.
O político de 58 anos que já foi tido como um dos mais influentes da política dos Estados Unidos disse que deve deixar a Câmara "em algum momento antes do meio de junho" e que não vai concorrer à reeleição em novembro.
"Após muitas semanas de reflexão pessoal, pensamento devoto e análise, eu cheguei à conclusão que é hora de encerrar esse capítulo de serviço público na minha vida", disse em um comunicado gravado em vídeo.
DeLay havia renunciado à liderança republicana no ano passado, depois de ter sido indiciado no Texas por corrupção. Ele é investigado por suposta lavagem de dinheiro para uso na campanha eleitoral do partido.
O republicano nega as acusações. Na semana passada, o seu ex-assessor se declarou culpado pelo esquema de corrupção.
O parlamentar americano disse que não quer que o Partido Democrático "roube a sua cadeira com uma campanha pessoal negativa" no pleito de novembro.
Casa Branca
Em uma entrevista à revista americana Time, desta semana, o parlamentar comentou: "Eu posso fazer mais fora da Casa (dos Representantes) do que dentro agora".
"Quero continuar lutando pela causa conservadora. Eu quero continuar a trabalhar pela maioria republicana."
A decisão de DeLay de renunciar chama a atenção para as acusações de corrupção dentro do Partido Republicano, do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
Embora a Casa Branca não tenha sido envolvida diretamente na crise, Bush saiu em defesa de DeLay no ano passado, dizendo que ele era inocente.
DeLay e dois assessores são acusados de lavagem de US$ 190 mil (R$ 405 mil) em doações de empresas para distribuição a republicanos candidatos nas eleições parlamentares do Texas em 2002.
A lei no Estado do Texas proíbe o uso de dinheiro de empresas em financiamento de campanha.