03 de abril, 2006 - 11h09 GMT (08h09 Brasília)
Os cinco países mais pobres da América Latina devem usar o encontro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que começa nesta segunda-feira em Belo Horizonte, para defender a proposta dos Estados Unidos de perdoar a sua dívida externa, de US$ 3,5 bilhões (R$ 7,5 bilhões).
O presidente boliviano, Evo Morales, é um dos chefes de Estado que está no Brasil para o encontro e deve defender o perdão, ao lado de representantes do Haiti, Nicarágua, Guiana e de Honduras, os outros beneficiados.
Mas o assunto, porém, pode dividir os países da região.
"Isto tem que ser discutido e negociado porque a questão é: 'Quem vai ser responsável em termos financeiros?'", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, à agência AP.
Maria Jose Romero, da ONG uruguaia Instituto do Terceiro Mundo, que está acompanhando os debates, disse à agência Reuters que ainda não há consenso. "Brasil, Argentina e México concordam com o princípio do perdão da dívida, mas se perguntam quem vai financiar o perdão e afirmam que não têm condições de arcar com os custos porque têm pobreza em seus próprios países."
Falta de clareza
De acordo com Romero, a preocupação do Brasil e do México, as duas maiores economias da América Latina, é quem vai pagar amanhã pelo perdão dado hoje.
"Eles concordam ideologicamente com o perdão, mas são contra qualquer coisa que exponha (os países da região) a juros mais altas no futuro", disse Romero.
A proposta americana foi feita em fevereiro, mas a forma com que a dívida vai ser coberta ainda não está clara.
O presidente do BID, Luis Alberto Moreno, disse aos delegados no domingo que não espera nenhum anúncio sobre perdão da dívida na conferência, que termina na quarta-feira.
Um comitê para discutir o assunto foi formado e será presidido pelo Brasil.