01 de abril, 2006 - 06h11 GMT (03h11 Brasília)
A nave Soyuz TMA-8, que tem à bordo Marcos Pontes, o primeiro astronauta brasileiro, acoplou-se com sucesso neste sábado à Estação Espacial Internacional.
O tenente-coronel Marcos Pontes, de 43 anos, vai passar oito dias realizando os experimentos da missão Centenário, batizada em homenagem aos cem anos do vôo do 14 Bis, de Santos Dumont.
A nave foi lançada do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, às 8h30m18s da quinta-feira (23h30m18s de quarta-feira, em Brasília).
Os outros dois astronautas à bordo da Soyuz TMA-8, o russo Pavel Vinogradov e o americano Jeff Williams, devem permanecer na EEI por seis meses.
Pontes foi o primeiro dos três a deixar a Soyuz e entrar na EEI para cumprimentar os demais ocupantes da estação, logo após a abertura das portas, às 2h59 de Brasília.
Após flutuar para dentro do compartimento principal da estação, Pontes rapidamente desenrolou uma bandeira brasileira e sorriu.
Acoplagem
A operação de acoplagem foi realizada após o foguete navegar em torno da Terra a cerca de 28 mil quilômetros por hora. A tripulação corrigiu gradativamente a rota da nave até ela se igualar à órbita da EEI, a cerca de 360 quilômetros de altitude.
A acoplagem da Soyuz com a EEI ocorreu à 1h19 de Brasília. Os controladores da missão em Korolyov, na periferia de Moscou, aplaudiram ao ouvir a confirmação da acoplagem com sucesso.
Pontes e seus dois companheiros permaneceriam por cerca 90 minutos realizando inspeções de rotina para segurança antes de deixar o módulo de lançamento.
Do dia 1º ao dia 8 de abril, Marcos Pontes vai executar os oito experimentos selecionados pela Agência Espacial Brasileira (AEB).
Durante sua permanência no espaço, Pontes vai se comunicar com a Terra várias vezes por dia.
O primeiro contato deve ser com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. O cosmonauta deve falar também com jornalistas brasileiros, técnicos da missão e com seu médico, o tenente-coronel Luiz Cláudio Lutiis.
Descanso
Lutiis afirmou que entre suas principais preocupações, está a possível falta de descanso do cosmonauta.
"Ele vai estar em uma situação parecida com a de uma criança cheia de brinquedos novos. Um estado de hiperatividade que pode dificultar o sono", disse Lutiis.
O médico ressaltou também o incômodo representado pelo barulho constante das máquinas em funcionamento na estação orbital.
"O ruído fica por volta de 60 a 70 decibéis, o equivalente a uma sala grande cheia de gente falando ao mesmo tempo."
O custo da viagem de Pontes para o governo brasileiro foi de cerca de US$ 10 milhões, metade do preço cobrado pelos russos para esse tipo de missão graças a uma parceria firmada entre Brasil e Rússia.