31 de março, 2006 - 14h59 GMT (11h59 Brasília)
A Polônia quer a mudança do nome de Auschwitz-Birkenau para lembrar ao mundo que o campo de extermínio foi construído e administrado pela Alemanha nazista, não pelos poloneses.
O campo de Auschwitz, construído perto da cidade polonesa de Oswiecim durante a ocupação alemã, é catalogado como patrimônio mundial da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
O governo polonês quer que a Unesco mude o nome oficial do local para “Antigo Campo de Concentração Nazista Alemão de Auschwitz-Birkenau” para deixar claro que ele não tinha nenhuma relação com a Polônia ou com os poloneses.
Mais de 1 milhão de pessoas, em sua maioria judeus, morreram em Auschwitz entre 1940 e 1945. O regime nazista matou cerca de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Insatisfação
O governo polonês vem há tempos indicando insatisfação com referências a Auschwitz na imprensa como “o campo de concentração polonês”.
A polêmica ganhou corpo nesta semana, após o jornal alemão Der Spiegel ter se referido ao campo como “polonês”.
“Nos anos após a guerra, o antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau era definitivamente associado com as atividades criminosas do regime nazista da Alemanha”, disse o porta-voz do governo polonês, Jan Kasprzyk, à agência de notícias estatal.
“Porém para as gerações contemporâneas, mais jovens, especialmente no exterior, esta associação não é universal”, disse o porta-voz.
A descrição atual de Auschwitz pela Unesco diz que suas instalações, incluindo câmaras de gás e fornos crematórios, “mostram as condições nas quais o genocídio nazista ocorreu no antigo campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, o maior do Terceiro Reich”.
Kasprzyk diz, porém, que “a mudança proposta no nome não deixaria dúvidas sobre o que o campo de Auschwitz-Birkenau era”. O governo polonês diz esperar uma resposta da Unesco até o fim deste ano.