30 de março, 2006 - 18h56 GMT (15h56 Brasília)
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse que o pedido para que o país entregue em 30 dias um relatório sobre as suas atividades nucleares é evidência de uma "manobra política por parte de algumas nações do Ocidente".
Falando em Genebra, onde participava de uma conferência sobre desarmamento, o chanceler iraniano afirmou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) "deveria cuidar do caso do Irã".
Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um comunicado em que dava um prazo de 30 dias para Teerã abandonar o enriquecimento de urânio.
O pedido foi reforçado, nesta quinta-feira, pelos ministros dos Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, Alemanha e França.
Mottaki descreveu o comunicado da ONU como uma "ação ruim".
Ainda não está claro o que poderá acontecer caso o Irã não cumpra o pedido da ONU.
Para o diretor da AIEA, Mohammed El Baradei, a introdução de sanções contra o Irã é "uma péssima idéia".
"Precisamos baixar o tom", comentou.
Consórcio
Mottaki disse, em Genebra, que Teerã deve oferecer formalmente que se forme um "consórcio regional" para enriquecer urânio para o seu programa nuclear, sugerindo que fosse criado no Irã.
Há cerca de três anos que a Grã-Bretanha, França e Alemanha tentam convencer o país a abandonar o enriquecimento de urânio em troca de incentivos econômicos.
Essas potências temem que o urânio possa ser usado para a construção de uma bomba atômica, mas o Irã alega que o combustível é usado para fins pacíficos.
As negociações diplomáticas atingiram um ponto crítico em janeiro, quando Teerã anunciou a retomada das suas atividades nucleares que estavam suspensas havia dois anos.