30 de março, 2006 - 16h33 GMT (13h33 Brasília)
Ministros do exterior de seis potências mundiais deram ao governo do Irã, nesta quinta-feira, um prazo de 30 dias para voltar para as negociações a respeito de seu programa nuclear ou enfrentar o "isolamento" internacional.
"O Irã tem que escolher entre o isolamento (...) ou a voltar às negociações”, afirmou o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier.
Os comentários do ministro alemão reforçaram o prazo estabelecido pelo Conselho de Segurança da ONU, que pediu que o Irã interrompesse o seu programa de enriquecimento de urânio.
No comunicado enviado ao Irã na quarta-feira, o Conselho de Segurança exigiu a suspensão dos planos iranianos e determinou que a agência da ONU que supervisiona programas nucleares entregue em 30 dias um relatório sobre as atividades nucleares no país.
O embaixador do Irã junto à ONU, Javad Zarif, disse que o país não vai ceder a ameaças internacionais e abrir mão de seu direito à energia nuclear, e acrescentou que seu país é "alérgico à pressão".
Os ministros, reunidos em Berlim, afirmaram que Estados Unidos, Rússia, China e Europa permanecem comprometidos com uma "solução diplomática" para a disputa.
Além de Frank-Walter Steinmeier, estiveram presentes ao encontro o ministro britânico Jack Straw, o francês Philippe Douste-Blazy, o russo Sergei Lavrov, o vice-ministro chinês Dai Bingguo, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o chefe de Política Exterior da União Européia, Javier Solana.
Sinal claro
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que a reunião desta quinta-feira enviou "um sinal muito claro ao Irã de que a comunidade internacional está unida".
O ministro do Exterior britânico, Jack Straw, disse que o Irã se "equivocou" ao retomar suas atividades de pesquisa nuclear.
"O ônus está com o Irã, que deve demonstrar à comunidade internacional que seu programa é totalmente voltado para propósitos civis e mais nada", acrescentou Straw.
O chanceler britânico também admitiu a possibilidade do Conselho de Segurança aprovar uma resolução para punir o Irã caso o país não cumpra com as exigências do órgão.
"Certamente, (o Conselho) pode incluir uma resolução... e a possibilidade de medidas depois disso", afirmou o ministro. Questionado se essas medidas poderiam ser sanções, Straw respondeu: "Poderiam".
No entanto, o ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, disse que seu país permanece contrário a uma medida desse tipo contra o Irã.
De acordo com Lavrov, a solução teria que partir da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o órgão da ONU encarregado de monitorar atividades nucleares.