29 de março, 2006 - 20h49 GMT (17h49 Brasília)
Sindicatos e estudantes franceses anunciaram nesta quarta-feira que planejam para o próximo dia 4 de abril mais manifestações contra a nova legislação trabalhista.
Depois dos protestos que atraíram mais de um milhão de pessoas na terça-feira, os manifestantes querem manter a pressão para que o governo não aprove o Contrato de Primeiro Emprego.
Apesar da repercussão mundial dos protestos e das centenas de prisões feitas nas ruas de Paris, o primeiro-ministro francês Dominique de Villepin se recusa a mudar a lei.
Villepin disse que está à espera de uma posição do Conselho Constitucional Francês, que na quinta-feira deve anunciar o resultado do recurso contra o Contrato do Primeiro Emprego.
Se a lei for considerada compatível com a constituição, o presidente francês, Jacques Chirac, terá 15 dias para aprovar ou enviar a legislação ao parlamento para revisão.
O governo francês garante que a medida criará novos empregos.
A assessoria do presidente francês disse que Chirac vai se pronunciar sobre o assunto nos próximos dias.
Manifestações
Cerca de um milhão de pessoas participaram dos protestos em toda a França contra o polêmico projeto de lei trabalhista, segundo estimativas da polícia.
Manifestantes entraram em confronto com os policiais em Paris, que foram atacados com pedras e objetos enquanto tentavam retirar as pessoas que estavam causando problemas do meio da multidão.
Os policiais usaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar um grupo de jovens encapuzados que teriam atacado tanto policiais como outros manifestantes.
Esta é a quarta vez que estudantes e sindicatos convocam um movimento nacional de oposição à legislação proposta, que permitiria a demissão de jovens com menos de 26 anos sem justa causa ou aviso prévio durante um período de experiência de dois anos.
Greve geral
Os principais choques entre a polícia e manifestantes ocorreram na Place de la Republique, na região central de Paris.
As manifestações se somaram a uma greve geral convocada contra a medida, que paralisou grande parte da rede de transportes - trens, ônibus e aviões - da França.
Além dos transportes, a greve afetou escolas, o correio, bancos e repartições públicas.
Paralisações também foram registradas em Bordeaux, Lille, Marselha, Nancy, Estrasburgo e Valenciennes.
Na cidade de Nantes a polícia afirma que 42 mil participaram do protesto, mais do que o dobro registrado em 18 de março. Le Mans, Rouen e Tours também registraram aumento no número de manifestantes.
O governo diz que seu projeto vai encorajar os empregadores a contratarem mais jovens, mas os estudantes temem que ele acabará com a estabilidade trabalhista num país onde mais de 20% dos jovens entre 18 e 25 anos estão desempregados – mais do que o dobro da média nacional.
Na França, as manifestações populares são consideradas há muito tempo como uma poderosa arma política. Mas há o temor em ambos os campos sobre uma possível quebra da ordem pública se os protestos continuarem.