28 de março, 2006 - 15h49 GMT (12h49 Brasília)
O Parlamento palestino aprovou nesta terça-feira o gabinete proposto pelo Hamas, abrindo caminho para o grupo militante iniciar o seu governo nesta quarta-feira.
A composição do gabinete foi aprovada por 71 votos a favor e 36 contra.
O novo premiê Ismail Haniyeh havia apresentado seus planos para os parlamentares na segunda-feira.
A votação em Ramallah, na Cisjordânia, coincide com as eleições parlamentares em Israel, em que o favorito é o primeiro-ministro em exercício Ehud Olmert.
Haniya, que estava na Faixa de Gaza, fez seu discurso por meio de videoconferência para os parlamentares reunidos em Ramallah, na Cisjordânia.
Relação com o Ocidente
Muitos parlamentares palestinos têm que participar de sessões por meio de uma videoconferência por causa de restrições israelenses à circulação dentro de territórios palestinos.
Haniyeh pediu para que os governos ocidentais reconsiderem sua oposição ao novo Parlamento palestino, dominado pelo grupo militante após a vitória eleitoral de janeiro.
Ele pediu para que esses governos pressionem mais Israel para terminar a ocupação de terras palestinas.
Doadores ocidentais ameaçam suspender a ajuda financeira à Autoridade Palestina a menos que o Hamas renuncie a violência em bases permanentes e reconheça o Estado de Israel.
A União Européia foi o maior doador para os palestinos em 2005, mas afirmou que futuras doações vão depender de o Hamas mostrar comprometimento com os trabalhos pela paz na região.
Haniya afirmou que os doadores poderão monitorar como o dinheiro doado é gasto e pediu por diálogo com mediadores internacionais conhecidos como o Quarteto: a ONU, União Européia, Estados Unidos e Rússia.
"A União Européia forneceu muita ajuda ao nosso povo, e apoiou nosso direito à liberdade... Estamos interessados em uma forte relação com a Europa", disse Haniya.