28 de março, 2006 - 10h26 GMT (07h26 Brasília)
Os franceses enfrentam nesta terça-feira grandes contratempos por conta da paralisação dos transportes em meio a uma greve geral em protesto contra um polêmico projeto de lei trabalhista.
Grande parte dos trens, dos ônibus e dos aviões do país está parada.
Mais de cem diferentes manifestações são esperadas ao longo do dia, protagonizadas por trabalhadores dos setores público e privado e também por estudantes.
Eles pedem que o governo desista do projeto de lei que pretende flexibilizar o mercado de trabalho para os jovens, permitindo que as empresas possam demitir jovens com menos de 26 anos sem justificativas até dois anos após a contratação.
Além dos transportes, a greve está afetando escolas, o correio, bancos e repartições públicas.
A polícia de choque aumentou seu efetivo em Paris em preparação para uma grande manifestação prevista para a tarde desta terça-feira. O objetivo é evitar a repetição das cenas de quinta-feira, quando mais de 400 pessoas foram presas e dezenas ficaram feridas durante uma manifestação contra o projeto.
Estabilidade
O governo diz que seu projeto vai encorajar os empregadores a contratarem mais jovens, mas os estudantes temem que ele acabará com a estabilidade trabalhista num país onde mais de 20% dos jovens entre 18 e 25 anos estão desempregados – mais do que o dobro da média nacional.
A correspondente da BBC em Paris Caroline Wyatt diz que as novas manifestações serão um verdadeiro teste sobre a determinação do primeiro-ministro Dominique de Villepin em manter o projeto, e que é difícil ver como ele poderá quebrar o impasse.
Segundo ela, é um grande desafio para a carreira política de Villepin encontrar uma solução sem se desmoralizar, ou perder terreno para seu principal rival para as próximas eleições presidenciais, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy.
Os principais sindicatos se recusam a negociar até que ele retire o projeto, enquanto que o premiê insiste que não será influenciado pelo clamor das ruas.
Na França, as manifestações populares são consideradas há muito tempo como uma poderosa arma política. Mas há o temor em ambos os campos sobre uma possível quebra da ordem pública se os protestos continuarem.