27 de março, 2006 - 16h14 GMT (13h14 Brasília)
Mais de mil pessoas protestaram em Mazar-e-Sharif, no norte do Afeganistão, nesta segunda-feira contra a decisão da Suprema Corte do país de suspender o julgamento de um afegão processado por se converter ao cristianismo.
O tribunal enviou o caso de Abdul Rahman de volta ao procurador-geral do país no domingo por causa de relatos de que ele sofreria de problemas mentais.
Rahman, que se converteu há 16 anos, é acusado de apostasia (abandono da fé), crime punido com pena de morte na sharia, a lei islâmica.
"Nós queremos a Sharia implementada, nós o queremos executado", gritava um grupo de homens que participava da manifestação.
Os manifestantes também protestavam contra o que consideram ser a interferência internacional no caso.
Alguns gritavam "Morte a Bush!", em referência ao presidente americano, em George W. Bush, que defendeu publicamente a libertação do afegão. O papa Bento 16 também intercedeu a favor de Rahman.
Exames médicos
De acordo com a agência de notícias France Presse (AFP), Rahman está sendo agora submetido a exames médicos, cujos resultados vão determinar o seu destino, segundo o procurador-geral, Abdul Wasay, que reassumiu o caso.
"Na nossa lei está claro - se alguém não está mentalmente são, não pode ser julgado, tem que ser solto", disse Wasay, segundo a AFP.
Os relatos de que Rahman sofre de problemas mentais foram feitos pela família do acusado como justificativa para um pedido de arquivamento do processo.
O juiz da Suprema Corte Ansarullah Mawlavizada disse à BBC que há consideráveis dúvidas da capacidade de Rahman de enfrentar o julgamento.
O juiz disse que o acusado parecia "perturbado". Ele confirmou que os parentes de Rahman disseram que ele tem problemas mentais e diz que ouve vozes dentro da cabeça.
Karzai
Sob pressão internacional, o presidente Hamid Karzai interveio pessoalmente no caso.
Mas Karzai também enfrenta a oposição dos religiosos linha-dura dentro e fora do governo.
Os detalhes da eventual libertação de Rahman estão sendo mantidos em segredo para impedir outras manifestações.