24 de março, 2006 - 02h18 GMT (23h18 Brasília)
O papa Bento 16 vai empossar quinze novos cardeais em uma cerimônia no Vaticano nesta sexta-feira.
Entre os promovidos estão o arcebispo de Hong Kong, um ativista pela liberdade de religião na China, e vários outros de países em desenvolvimento.
Na quinta-feira, o papa reuniu o Colégio de Cardeais para discutir os desafios para a Igreja Católia Romana, atualmente com 1,1 bilhão de fiéis em todo o mundo.
Foi o primeiro encontro do tipo sob o papado de Bento 16.
'Universalidade'
Os novos cardeais vêm de onze países, incluindo os arcebispos de Caracas, na Venezuela, Manila, nas Filipinas, Seul, na Coréia do Sul, e Toledo, na Espanha.
O nomeação de Joseph Zen, arcebispo de Hong Kong, é um sinal de que a liberdade de religião é muito importante para o papa, dizem os correspondentes.
O arcebispo Zen tem sido um crítico aberto do governo chinês, que só permite que os católicos do país rezem em igrejas controladas pelo Estado e proíbe qualquer contato com o Vaticano.
Outro nomeado é o arcebispo de Cracóvia, Stanislaw Dziwisz, que foi secretário particular do papa João Paulo 2º por muito tempo.
Já o arcebispo de Boston, Sean O'Malley, foi apontado pelo Vaticano para resolver a situação nas dioceses americanas depois do escândalo de abuso sexual de crianças.
O papa disse recentemente que os novos cardeais iriam "refletir a universalidade da igreja".
Eles irão receber os tradicionais chapéus vermelhos como símbolo de que eles estão prontos para derramar sangue pela igreja se forem chamados a fazer isso.
Depois da cerimônia - chamada de consistório -, a igreja terá um total de 193 cardeais, 120 deles com menos de 80 anos e, portanto, em condições de participar de um conclave para escolher um novo papa.
Encontro
O encontro de quinta-feira com mais de 170 cardeais das principais cidades do mundo se deu de forma aberta.
Tradução simultânea esteve limitada a apenas quatro línguas que não incluíam o latim, nem o alemão ou o polonês, segundo o correspondente da BBC em Roma David Willey.
Willey diz que esse foi um esforço sincero do novo papa de manter a promessa de consultar os homens que na verdade comandam a igreja antes de tomar decisões.
A reunião foi realizada a portas fechadas, mas os assuntos foram abertamente divulgados pelos que participaram dela.
As relações com o Islã, em meio a episódio de violência contra cristãos no Iraque, Indonésia e Nigéria, estavam entre os principais assuntos.
Outro era a maneira como Roma deve procurar uma reconciliação com um grupo de católicos tradicionais que tentam se desligar.
Um terceiro assunto era o futuro das relações com a China.