21 de março, 2006 - 17h49 GMT (14h49 Brasília)
A Rússia e a China assinaram nesta um acordo para enviar grandes quantidades de gás da Sibéria para a China.
Autoridades dizem que os gasodutos, que podem começar a funcionar em cinco anos, irão transferir até 80 bilhões de metros cúbicos de gás por ano.
O negócio é parte de um pacote de 15 acordos econômicos assinado entre os dois países durante a visita de dois dias do presidente russo, Vladimir Putin, a Pequim.
Putin está liderando uma delegação de 90 membros, incluindo representantes das indústrias de gás e petróleo e de outros setores econômicos da Rússia.
O presidente disse que os dois lados concordaram em realizar o suprimento de gás de dois campos, localizados no oeste da Sibéria e no leste russo.
Alexei Miller, chefe da empresa Gazprom, que detém o monopólio de gás na Rússia, disse que o cronograma e as dimensões do acordo foram definidos com a empresa de gás e petróleo chinesa, a CNPC, mas que os detalhes finais ainda serão negociados.
Petróleo
Mas o acordo que a China realmente quer é um oleoduto vindo da Sibéria, de acordo com o correspondente da BBC em Pequim, Rupert Wingfield-Hayes.
O ministro da Indústria e Energia da Rússia, Viktor Khristenko, disse, no entanto que não haverá discussões sobre um cronograma para o fornecimento de petróleo até a conclusão de estudos sobre sua viabilidade.
Putin e o presidente chinês, Hu Jintao, manifestaram interesse em aumentar os laços entre os dois países nas áreas de transportes e telecomunicações.
Os dois também discutiram a questão do programa nuclear iraniano e disseram que estão comprometidos com a resolução do problema “através de canais políticos e diplomáticos”, de acordo com a agência russa Itar-Tas.
A cooperação entre os dois países nunca foi tão grande. O crescimento econômico da China cria um enorme mercado para os recursos energéticos da Rússia.
Além disso, a China compra bilhões de dólares em equipamentos militares de última geração russos e os dois países realizarão a segunda etapa de exercícios militares conjuntos neste ano.
Mas a ligação entre os dois países não pode ser superestimada, de acordo com o correspondente da BBC. No ano passado, o comércio entre os dois países chegou a US$ 30 bilhões, apenas um décimo do que a China negocia com os Estados Unidos.
Uma comissão de senadores americanos está visitando Pequim nesta semana para tentar convencer o governo chinês a reavaliar sua moeda.
A preocupação nos Estados Unidos é que o yuan possa ser desvalorizado artificialmente, permitindo que a China exporte produtos mais baratos.