21 de março, 2006 - 03h13 GMT (00h13 Brasília)
Jim Muir
de Bagdá
O comando militar dos Estados Unidos disse estar investigando alegações de que fuzileiros navais americanos teriam atirado e matado 15 civis iraquianos.
As mortes ocorreram em novembro do ano passado depois que uma bomba explodiu na beira de uma estrada na cidade de Haditha, matando um fuzileiro naval e ferindo dois.
Um comunicado divulgado na época afirmou que os civis teriam morrido na explosão.
Mas uma investigação militar preliminar chegou à conclusão de que os iraquianos foram mortos em suas casas pelos fuzileiros navais.
Pressão
O incidente aconteceu na manhã do dia 19 de novembro. Um veículo blindado dos Estados Unidos foi atingido por uma bomba colocada na beira de uma estrada.
Segundo o relatório militar da época, os insurgentes teriam depois atirado de todas as direções and teria havido um tiroteio no qual oito dos militantes teriam morrido.
O comunicado afirmou também que os 15 civis, incluindo três crianças, morreram na explosão inicial. Mas os parentes das vítimas, sobreviventes e médicos que viram os corpos dizem que isso não é verdade.
Eles afirmam que os civis morreram quando os fuzileiros navais entraram em suas casas e mataram as vítimas, que estavam em roupas de dormir.
Os protestos na base americana foram abafados e a história teria ficado nisso se o caso não tivesse sido abordado pela revista Time.
A revista apresentou documentos sobre o caso ao comando militar em Bagdá e uma investigação preliminar foi iniciada.
Esse inquérito preliminar concluiu que duas famílias foram mesmo mortas pelos fuzileiros navais, mas as mortes foram descritas como um dano colateral.
Agora o caso está sendo objeto de uma investigação criminal para determinar se os fuzileiros navais tiveram um comportamento impróprio.
Grupos de direitos humanos afirmaram que se ficar comprovado que os 15 civis foram deliberadamente mortos pelos americanos, será o pior caso do tipo a vir à tona.
Já houve outras alegações semelhantes por parte de civis iraquianos em relação ao comportamento dos soldados americanos em situações de combate, como a ofensiva em Falluja e outras operações.