20 de março, 2006 - 17h57 GMT (14h57 Brasília)
O primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, disse nesta segunda-feira que não vai voltar atrás em relação à polêmica lei que cria um novo contrato de trabalho para jovens, apesar da ameaça de uma greve geral no país.
O novo contrato permitirá a demissão sumária de jovens nos dois primeiros anos de trabalho.
Em uma entrevista a uma revista para jovens, Vileppin disse que é preciso dar uma chance para que a lei funcione, mas afirmou que a norma pode ser melhorada.
O governo vê a medida como uma iniciativa para combater o desemprego ao flexibilizar a lei trabalhista permitindo que jovens sejam contratados (e demitidos) com mais facilidade.
O presidente francês Jacques Chirac disse que é importante abrir um diálogo "construtivo e confiante" sobre o assunto nos próximos dias. "Estou confiante de que o senso de responsabilidade dos empregadores, sindicatos e representantes dos jovens os levará a seguir essa estrada, que é de eficácia e bom senso", disse Chirac à TV francesa.
Críticas
Mas os sindicados franceses dizem que a lei permitirá a exploração dos jovens e prometeram endurecer sua resposta caso o governo não faça concessões.
Sindicalistas e líderes estudantis ameaçaram fazer uma greve geral se o governo não desistir dos planos.
"Se nada mudar, nós vamos propor a preparação de um dia de greve nos próximos dias. Nessas condições, será um sucesso", disse Bernard Thibault, presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores francesa.
A greve geral seria mais uma forma de pressionar o governo depois dos protestos que vêm sendo realizados por todo o país.
Entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, mais de 160 pessoas foram presas depois de choques entre a polícia e manifestantes no leste da capital da França, Paris.
Também ocorreram confrontos em outras cidades francesas, inclusive no porto de Marselha, onde manifestantes tentaram incendiar a porta do prédio da prefeitura. Um policial ficou ferido e seis jovens foram presos, disse a polícia.
Estes foram alguns dos poucos incidentes registrados nos protestos que, de acordo com sindicatos franceses, reuniram cerca de 1,5 milhão de pessoas. A polícia, por sua vez, diz que cerca de 500 mil pessoas participaram das manifestações.