20 de março, 2006 - 12h49 GMT (09h49 Brasília)
Representantes da União Européia disseram que as eleições de domingo em Belarus, nas quais o presidente Alexander Lukashenko foi eleito para seu terceiro mandato, ocorreram em meio a um "clima de intimidação".
"Acho que toda essa eleição foi uma farsa. Acredito que foi uma típica eleição nos moldes comunistas que vimos acontecer nos anos 40, 50 e 60 no Leste Europeu", disse à BBC o deputado alemão no Parlamento europeu Elmar Brook, que preside a comissão de política externa e direitos humanos da UE.
A acusação foi repetida pela ministra do Exterior da Áustria, Ursula Plassnik.
Lukashenko, a quem os Estados Unidos chamam de "o último ditador da Europa", foi eleito com mais de 82,6% dos votos, de acordo com resultados oficiais divulgados nesta segunda-feira.
Muitos representantes europeus disseram que é preciso esperar uma avaliação formal dos observadores eleitorais, mas a comissário de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, já falou abertamente da possibilidade de adotar sanções contra o país.
"Pelo que vimos até agora, a minha visão é muito provável (que tomemos) alguma ação", disse Ferrero-Waldner.
"Tentativas descaradas"
Já Lukashenko, nas suas primeiras declarações como presidente reeleito, descreveu as eleições como "livres e justas" e disse que "a revolução contra ele fracassou".
"Apesar das descaradas tentativas estrangeiras de ditar os nossos rumos e a pressão colossal, eles não conseguiram nos dobrar. Pelo contrário, o inverso aconteceu. O povo bielorusso não aceita ser mandado e é inútil fazer pressão sobre ele", afirmou em um discurso em rede nacional.
Segundo as autoridades eleitorais, o principal adversário de Lukashenko no pleito, Alexander Milinkevich, conquistou apenas 6% dos votos.
Os partidos de oposição afirmam que houve fraude nas eleições, e Milinkevich pediu a realização de um novo pleito.
O comparecimento às urnas deverá ficar em 92,6%, de acordo com dados oficiais.
Críticas
A correspondente da BBC Emma Simpson disse que o órgão de monitoramento eleitoral da União Européia, o OSCE, deve publicar um relatório com críticas severas.
Antes do início da votação, grupos de simpatizantes da oposição foram presos e observadores internacionais, proibidos de atuar.
Autoridades de Belarus acusam países estrangeiros de tentar interferir na política interna do país, apoiando candidatos da oposição.
Milinkevich disse acreditar que poderia vencer o pleito se a apuração de votos fosse realizada com lisura.
Mas Simpson afirma que, apesar de seu regime autoritário, Lukashenko goza de considerável apoio popular.