16 de março, 2006 - 01h02 GMT (22h02 Brasília)
Simpatizantes do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic presenciaram o retorno de seu corpo à Sérvia nesta quarta-feira.
Um grupo de centenas de pessoas assistiu à chegada do caixão, enrolado em uma bandeira sérvia, ao aeroporto de Belgrado.
Segundo autoridades sérvias, o corpo ficará exposto em um museu de Belgrado na quinta-feira e depois seguirá para a cidade natal de Milosevic, Pozarevac, onde ele deverá ser enterrado no sábado.
O caixão deixou o aeroporto em uma van. Simpatizantes tentaram tocar o veículo e jogaram flores em direção ao carro.
Branko Ruzic, vice-presidente do Partido Socialista, do qual Milosevic fazia parte, disse esperar que "muitas pessoas compareçam para homenagear" o ex-presidente.
O corpo foi liberado pelo Tribunal Penal Criminal da ex-Iugoslávia, em Haia na terça-feira, três dias depois da morte do ex-presidente.
Milosevic, que presidiu a Sérvia durante as guerras dos Bálcãs nos anos 90, morreu de infarto em sua cela, aos 64 anos.
Sentimento nacionalista
A decisão de realizar o enterro na Sérvia foi anunciada depois de negociações entre a família e as autoridades do país.
O filho do ex-líder iugoslavo, Marko, que foi à Holanda para acompanhar a liberação do corpo, seguiu para a Rússia para buscar a mãe, auto-exilada em Moscou.
Mira Markovic vive na Rússia, desde que foi acusada de fraude na Sérvia. Mas um tribunal em Belgrado suspendeu uma ordem de prisão contra a viúva de Milosevic, abrindo caminho para que ela retorne à Sérvia para o funeral.
Há receios de que o funeral possa provocar manifestações por parte de grupos nacionalistas e o governo sérvio descartou um enterro com honras de Estado.
Russos
Mais cedo, um médico russo revisou os resultados da autópsia oficial e concordou com os médicos holandeses que a morte de Milosevic foi causada por um infarto.
Mas Leo Bokeria, que dirige o centro Bakulev de doenças cardio-vasculares, afirmou que a morte poderia ter sido evitada.
"Na minha opinião, a morte poderia ter sido evitada, porque ele tinha uma patologia que tratável em qualquer lugar do mundo, no momento," dosse Bakulev, antes de retornar a Moscou.