16 de março, 2006 - 10h26 GMT (07h26 Brasília)
O novo Parlamento do Iraque realizou sua primeira sessão nesta quinta-feira, três meses depois das eleições gerais no país.
A adiada sessão, no entanto, durou apenas 30 minutos porque não houve acordo sobre quem deveria assumir a presidência permanente do legislativo.
Os partidos também permanecem divididos sobre a composição do governo do país e medidas para conter a violência.
Os trabalhos foram abertos três dias antes do prazo estabelecido. Mas este prazo já era resultado do adiamento do início dos trabalhos do órgão, devido à falta de acordo a respeito do preenchimento de altos cargos políticos.
Violência crescente
A nova sessão parlamentar está sendo aberta em um momento em que é crescente a violência sectária no Iraque e há até quem preveja a eclosão de uma guerra civil.
Nesta quinta-feira, pelo menos uma pessoa morreu em confrontos em Halabja. Testemunhas contam que um tiroteio começou durante uma manifestação para lembrar o ataque com gás à cidade majoritariamente curda, 18 anos atrás.
Segundo a agência de notícias Associated Press, cerca de 7 mil pessoas, incluindo parentes das cerca de 5 mil vítimas do ataque, atearam fogo a um memorial e atacaram prédios públicos.
Apenas na quarta-feira, pelo menos 18 pessoas morreram em diferentes incidentes nesta quarta-feira nas cidades Balad, Baquba e Bagdá, na região central do Iraque, inclusive 11 em uma blitz de soldados americanos.
Com o impasse no Parlamento, os iraquianos ainda devem ter que esperar pelo menos semanas antes de ver a conclusão das negociações para a formação de um novo governo, diz o repórter da BBC Jim Muir, em Bagdá.
Um dos pontos contenciosos é a indicação do xiita Ibrahim al-Jaafari para o cargo do primeiro-ministro.
Nenhum dos partidos não-xiitas presentes no Parlamento quer ver Jaafari como chefe de governo.
Analistas iraquianos e internacionais acreditam que um governo de união nacional é a única alternativa capaz de evitar que a desordem civil piore ainda mais.